Soldado de Chumbo manco a andar pela esquina. De todo seu porte nada se suporta, por causa da perna manca. Seu andar é lento e suas passadas pequenas. Pela rua logo se sabe quando ele se aproxima, é um barulho compassado, meio chiado e um pouco irritante de metal contra o chão da loja.
Os soldados não o mantém por perto, só ficam com suas táticas e jogos e não querem o defeituoso ao lado. Atrapalha, dizem eles, e deixa o andar sem ritmo. Pelas fileiras de brinquedos, todos nas caixas, ele é o único a vagar pela escuridão da loja. O barulho metálico ecoa pelos corredores. Para disfarçar, ele canta.Lonely
I'm mr. lonely,
I have nobody,
only my own...
Passando por um canto, onde ficavam os brinquedos mais velhos, ele vê uma linda caixinha de música com uma bailarina. A caixinha caiu do topo da estante, se partiu e começou a tocar. Quando ele olha, a bailarina está no meio da apresentação. Ela gira em torno de si mesma e se movimenta sobre o tablado da caixinha, com uma leveza que o encantou. Ele parou ao longe e começou a ouvi-la cantar.
I hear the ticking of the clock
I'm lying here the room's pitch dark
I wonder where you are tonight
No answer on the telephone
And the night goes by so very slow
Oh I hope that it won't end though
Alone...
Ele decide que não precisa mais ficar sozinho e que tudo o que sempre procurou estava logo a sua frente. Se encaminhou, com seu andar barulhento e cheio de 'cliques' até ela. A cada passo ele reconhecia que ela era seu amor, tudo o que lhe faltava, tudo o que preencheria sua vida.
Chegando aos pés da caixinha ele resolve falar com ela, mas vê que ela parou de se mover. A música havia cessado, o movimento da bailarina terminara e com o fim da corda não voltaria. Toda a magia havia terminado. Ele se via novamente no escuro, sozinho, a contemplar a bailarina imóvel na caixinha de música.
Ele abaixou a cabeça, sentou-se ao lado da caixinha e dizem que nunca mais se moveu.
A loja funciona ainda, vende seus brinquedos, mas o dono jamais joga fora os brinquedos, mesmo os quebrados. O soldado é sempre mantido ao lado da caixinha com a bailarina e há brinquedos que dizem ainda o escutar cantar baixinho em algumas noites.
Chegando aos pés da caixinha ele resolve falar com ela, mas vê que ela parou de se mover. A música havia cessado, o movimento da bailarina terminara e com o fim da corda não voltaria. Toda a magia havia terminado. Ele se via novamente no escuro, sozinho, a contemplar a bailarina imóvel na caixinha de música.
Ele abaixou a cabeça, sentou-se ao lado da caixinha e dizem que nunca mais se moveu.
A loja funciona ainda, vende seus brinquedos, mas o dono jamais joga fora os brinquedos, mesmo os quebrados. O soldado é sempre mantido ao lado da caixinha com a bailarina e há brinquedos que dizem ainda o escutar cantar baixinho em algumas noites.
Lonely
I'm mr. lonely,
I have nobody,
only my own...
Marcadores: solidão
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