Capítulo Seis - O Último Dia
O mundo vivia seus momentos finais, mas de forma muito melhor. Havia pessoas se abraçando no meio da rua, dentro de supermercados; os poucos que ainda trabalhavam tinham um sorriso pela metade no rosto, mas trabalhavam com o mesmo empenho.
Os casamentos foram elevados, os namoros (que durariam poucos dias) estavam na moda. Os adolescentes gostavam de demonstrar isso em público. As relações entre gays e lésbicas deixaram de ser tabú. Havia casais em cada esquina se abraçando, se beijando, trocando juras de amor e sorrisos seguidos de lágrimas.
Era como viver a utopia dos hippies: paz e amor para todo o mundo. Nos telejornais não havia anúncios de guerras, os assassinatos diminuíram e os roubos já não existiam. O mundo tornara-se um lugar muito melhor, muito mais gostoso de se viver, mesmo com o anúncio do fim iminente; na verdade, só por ele.
As pessoas passaram a gostar de si e do mundo. Passaram a ver o que há de melhor nas pessoas e nelas mesmas.
A desigualdade social que era dominante passou a ser bem menor. Os ricos estavam ajudando os pobres, e os pobres não estavam mais restritos às suas localidades. Pelas ruas se viam pessoas de todos os tipos, de todas as cores. Elas sorriam. Os pobres foram remanejados nos hotéis e pousadas. As pessoas estavam passando a se amar e amar o fato de estarem vivas e em conjunto, pelo fato de ser a última oportunidade de ser bom.
O sol nasceu com um brilho especial naquela que seria a última manhã. Não havia o som dos pássaros, pois os mesmos haviam sido removidos. O vento soprava fresco, a temperatura era refrescante e as pessoas estavam calmas, apesar do que viria.
Todos se sentaram nas ruas, praças, avenidas e altos de prédios ou lajes, esperando por aquele que seria o momento mais esperado desde o primeiro comunicado. Havia sorrisos, abraços e beijos. Crianças correndo e brincando, outras abraçadas com seus pais. Não chovia em nenhum lugar da Terra, o sol brilhava em todo o lado diurno e no lado noturno a noite era clara e com uma lua impressionantemente brilhante.
Mais ou menos as onze da manhã as pessoas foram surpreendidas pelo sol. Ele deixou de ser amarelo intenso e ficou mais brando. Em sua superfície apareceu a mesma silhueta de antes; o mesmo se deu com a lua no lado noturno. A voz era grave, mas calma.
-- Bom dia a todos.
Não houve silêncio, as pessoas responderam com um "bom dia/noite" em todo o mundo.
-- Há dez dias eu lhes avisei contra seus excessos, contra o desgosto que estavam me causando, contra o mal que faziam a si mesmos. Disse que acabaria com o mundo por causa disso. Mas não vou mais.
Desta vez houve o mesmo silêncio de antes e um aperto no coração de todos, não de tristeza, mas de completa felicidade.
-- Eu não gostava mais de vocês humanos pois me desgostavam, mas vocês mudaram nesses dez dias; mudaram como eu não achava que podiam fazer. Vocês haviam perdido algo muito precioso, algo que eu tinha em alta conta, mas recuperaram e compensaram a perda, pois fizeram de forma linda: vocês recuperaram o amor.
"Já não tenho mais motivos para destruir esse mundo nem os que vivem nele, desde que mantenham-se dessa forma. As pessoas que não conseguiram transcender a isso acabam de ser retiradas da Terra.
Ouviu-se um puxão, como o ar que se tira de uma bexiga, e várias pessoas sumiram na multidão.
-- Aos que ficam eu lhes desejo uma vida plena e feliz, com amor e carinho de todas as formas possíveis. Amem-se, sem ver a quem nem os motivos, apenas amem. Façam desse mundo um lugar lindo e jamais me pronunciarei novamente, mas saberão que existo, que olho por vocês e que nos encontraremos quando terminarem seu tempo.
"Aqui me despeço, mas não é uma despedida realmente. Não nos veremos por um tempo, mas até a próxima e eu amo vocês; agora sim eu amo."
O sol voltou a brilhar forte, a lua voltou a iluminar a noite, a silhueta sumiu e as pessoas riam e pulavam.
A mãe e o filho, junto com a neta, se abraçaram sorrindo, sabendo que haviam conseguido tudo graças a Deus. Andando, voltaram para dentro de casa, onde comeram um bolo de chocolate que fora preparado naquela manhã.
Miguel estava no cemitério e agradeceu silenciosamente. Agora ele tinha pelo que rezar e pelo que esperar no outro mundo. Se encontraria com seu amigo, o que tornava a vida melhor de se viver.
Em casa, sozinho, o namorado chorava, sabendo que um dia a veria de novo. Sabia que a vida que levasse o levaria em direção à ela e ao reencontro que preenchia seus sonhos.
O mundo vira o caos e o amor em um período de dez dias. Agora as coisas iriam entrar nos eixos.
Não existia mais preconceito e nem dor.
O sol brilhava, as pessoas sorriam, os pássaros voltaram a cantar e o ar soprava fresco. Era um lindo dia e tudo ia bem. O amor existia.
Os casamentos foram elevados, os namoros (que durariam poucos dias) estavam na moda. Os adolescentes gostavam de demonstrar isso em público. As relações entre gays e lésbicas deixaram de ser tabú. Havia casais em cada esquina se abraçando, se beijando, trocando juras de amor e sorrisos seguidos de lágrimas.
Era como viver a utopia dos hippies: paz e amor para todo o mundo. Nos telejornais não havia anúncios de guerras, os assassinatos diminuíram e os roubos já não existiam. O mundo tornara-se um lugar muito melhor, muito mais gostoso de se viver, mesmo com o anúncio do fim iminente; na verdade, só por ele.
As pessoas passaram a gostar de si e do mundo. Passaram a ver o que há de melhor nas pessoas e nelas mesmas.
A desigualdade social que era dominante passou a ser bem menor. Os ricos estavam ajudando os pobres, e os pobres não estavam mais restritos às suas localidades. Pelas ruas se viam pessoas de todos os tipos, de todas as cores. Elas sorriam. Os pobres foram remanejados nos hotéis e pousadas. As pessoas estavam passando a se amar e amar o fato de estarem vivas e em conjunto, pelo fato de ser a última oportunidade de ser bom.
O sol nasceu com um brilho especial naquela que seria a última manhã. Não havia o som dos pássaros, pois os mesmos haviam sido removidos. O vento soprava fresco, a temperatura era refrescante e as pessoas estavam calmas, apesar do que viria.
Todos se sentaram nas ruas, praças, avenidas e altos de prédios ou lajes, esperando por aquele que seria o momento mais esperado desde o primeiro comunicado. Havia sorrisos, abraços e beijos. Crianças correndo e brincando, outras abraçadas com seus pais. Não chovia em nenhum lugar da Terra, o sol brilhava em todo o lado diurno e no lado noturno a noite era clara e com uma lua impressionantemente brilhante.
Mais ou menos as onze da manhã as pessoas foram surpreendidas pelo sol. Ele deixou de ser amarelo intenso e ficou mais brando. Em sua superfície apareceu a mesma silhueta de antes; o mesmo se deu com a lua no lado noturno. A voz era grave, mas calma.
-- Bom dia a todos.
Não houve silêncio, as pessoas responderam com um "bom dia/noite" em todo o mundo.
-- Há dez dias eu lhes avisei contra seus excessos, contra o desgosto que estavam me causando, contra o mal que faziam a si mesmos. Disse que acabaria com o mundo por causa disso. Mas não vou mais.
Desta vez houve o mesmo silêncio de antes e um aperto no coração de todos, não de tristeza, mas de completa felicidade.
-- Eu não gostava mais de vocês humanos pois me desgostavam, mas vocês mudaram nesses dez dias; mudaram como eu não achava que podiam fazer. Vocês haviam perdido algo muito precioso, algo que eu tinha em alta conta, mas recuperaram e compensaram a perda, pois fizeram de forma linda: vocês recuperaram o amor.
"Já não tenho mais motivos para destruir esse mundo nem os que vivem nele, desde que mantenham-se dessa forma. As pessoas que não conseguiram transcender a isso acabam de ser retiradas da Terra.
Ouviu-se um puxão, como o ar que se tira de uma bexiga, e várias pessoas sumiram na multidão.
-- Aos que ficam eu lhes desejo uma vida plena e feliz, com amor e carinho de todas as formas possíveis. Amem-se, sem ver a quem nem os motivos, apenas amem. Façam desse mundo um lugar lindo e jamais me pronunciarei novamente, mas saberão que existo, que olho por vocês e que nos encontraremos quando terminarem seu tempo.
"Aqui me despeço, mas não é uma despedida realmente. Não nos veremos por um tempo, mas até a próxima e eu amo vocês; agora sim eu amo."
O sol voltou a brilhar forte, a lua voltou a iluminar a noite, a silhueta sumiu e as pessoas riam e pulavam.
A mãe e o filho, junto com a neta, se abraçaram sorrindo, sabendo que haviam conseguido tudo graças a Deus. Andando, voltaram para dentro de casa, onde comeram um bolo de chocolate que fora preparado naquela manhã.
Miguel estava no cemitério e agradeceu silenciosamente. Agora ele tinha pelo que rezar e pelo que esperar no outro mundo. Se encontraria com seu amigo, o que tornava a vida melhor de se viver.
Em casa, sozinho, o namorado chorava, sabendo que um dia a veria de novo. Sabia que a vida que levasse o levaria em direção à ela e ao reencontro que preenchia seus sonhos.
O mundo vira o caos e o amor em um período de dez dias. Agora as coisas iriam entrar nos eixos.
Não existia mais preconceito e nem dor.
O sol brilhava, as pessoas sorriam, os pássaros voltaram a cantar e o ar soprava fresco. Era um lindo dia e tudo ia bem. O amor existia.
FIM
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Capítulo Cinco - Último Beijo
Quando eles se conheceram não eram mais que meros adolescentes sonhadores, com ambições tão profundas quanto um Playstation podia ser. Ao tempo que ele, com treze anos, gostava de jogos de zumbis e monstros que ele caçava, ela, com doze, gostava dos de luta, adversário contra adversário.
Estavam na mesma escola, e se conheceram por meio de amigos, emprestando jogos um para o outro no intervalo entre as aulas. Nas aulas de matemática, que eram as últimas do período para ambos, eles gostavam de pular o muro da escola e ir para a casa dela, para jogar, ou uma luta mano a mano, ou um embate pra ver quem aguentava mais tempo contra o chefe zumbi da última tela de um dos jogos dele.
Com essas faltas, e, conseqüentemente, a falta de notas em matemática, fizeram com que ele repetisse de ano, mas ele não se importou. No ano seguinte, ficaram na mesma sala.
Assim foi durante anos, e no segundo ano do colegial eles começaram a namorar. Foram amigos durante anos e agora transcenderam isso. Seus amigos achavam lindo a forma como os dois eram juntos; tão completos.
Aos dezenove anos eles se casaram e foram logo morar juntos. Ele trabalhava como auxiliar de escritório em uma empresa próxima a sua casa, e fazia faculdade de administração. Ela cursava psicologia e trabalhava na mesma empresa que ele, só que no setor de marketing.
Ao final de dois anos de casados eles conseguiram tirar férias juntos. Ele pegou seu carro e arrumou as malas. Ela chegou atrasada e nem tomou banho, deu-lhe um beijo e entrou no carro, jogando os sapatos de bico fino no canto da garagem.
No rádio tocava "Suddenly I See" e ela sorria. Pegaram a estrada para a praia, em alta velocidade, como era costume de qualquer um dos dois que pegasse o carro. As curvas passavam rápido e a música era repetida a cada vez que tocava. Eles sorriam, embora não falassem muito.
Numa reta da pista eles se aproximaram e se beijaram, mas ao se afastarem viram que havia um carro parado na pista. Ele desviou, mas ao fazer o carro bateu em uma árvore. Ele ouviu um grito e apagou, quando acordou já estava no hospital, com o ombro cheio de faixas e a perna engessada.
Olhou de um lado e de outro, mas a sala era individual. Apertou freneticamente a campainha e a enfermeira apareceu. Ele pediu informações sobre ela, mas a enfermeira limitou-se a dizer que ela estava na UTI.
As informações foram parciais nos dias que se seguiram, mas no sétimo veio a confirmação: ela havia perdido o movimento das pernas e sofrido uma grave lesão cerebral que a impediria de se comunicar verbalmente com a mesma desenvoltura.
Ele passou os dias internado querendo vê-la, mas a família se recusava a deixá-lo entrar, já que era ele quem dirigia na hora e era tido como total culpado. Ao final de dois meses ele já caminhava normalmente, tendo feito fisioterapia, mas ainda não deixavam-no vê-la e nem ela realmente queria, já que a família fazia pressão para tal.
Com dois dias após "O Comunicado" ela sofreu um inchaço cerebral e perdeu quase todas as funções motoras do lado esquerdo. Sua situação piorou ao ponto de ser inoperável sem o risco de morte, ao mesmo tempo em que isso a levaria para a morte certa.
A família resolveu deixar que ele a visse uma última vez, já que os médicos disseram que seriam suas últimas horas com lucidez para conversar.
Ele saiu de casa com a mesma roupa e foi direto ao hospital. Lá chegando ele encontrou os sogros à porta. Eles o abraçaram e abriram a porta. Lá estava ela, com o mesmo sorriso que tinha antes, só que com cabos em seus pulsos e com o cabelo bem curto graças a uma cirurgia.
Mal conseguindo falar direito ele se ajoelhou à cama pedindo desculpas. Ela, com um dos lados do corpo paralisado e sem poder mexer as pernas, levantou-se como pôde e puxou sua cabeça para junto da dela, sorrindo. Ela o beijou e voltou a se deitar e fechou os olhos, mas mexeu com os lábios as palavras "eu te amo". Ele ficou sentado na cadeira ao lado da cama, vendo-a dormir, mas ela não mais acordou.
No último dia da Terra, ele, que não rezava há anos, agora acreditava em Deus e sabia, inconscientemente, que se fosse alguém melhor do que sempre fora, um dia a veria de novo. Ele perdera tudo o que tinha na vida, mas ganhou a esperança que havia perdido há anos.
Silenciosamente, ele rezou.
"Last Kiss" - Pearl Jam
[conclui na próxima postagem... ]
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Capítulo Quatro - Os Dois Amigos
Durante a infância eles eram inseparáveis. Um não conseguia brincar se o outro não estivesse por perto para brincar também. Moravam uma casa vizinha da outra e suas mães eram amigas, e também seus pais, que trabalhavam na mesma fábrica na cidade.
Seus dias eram ensolarados e alegres, naquele verão de 36, mas tudo mudou. Três anos depois, a amizade deles foi intensificada, mas de alguma forma algo se quebrou: o pai de um deles fora enviado para a guerra na Europa. Os dois ficaram mais ligados que nunca, mas seus dias perderam a magia que tinham antes, pois a preocupação não os permitia sonhar, e sem sonhos, não há infância.
No outono de 44, já com dezessete anos, o garoto recebe dois militares à sua porta, com uma bandeira e duas medalhas nas mãos, e as palavras que ele jamais queria ouvir: que seu pai havia lutado bravamente por seu país, mas que falecera em um campo na França. Os dois amigos que já estavam meio separados acabaram por tomar caminhos diferentes e não se viram mais, desde que o garoto órfão de pai havia sumido no mundo.
O outro o procurou, mas não obteve êxito na época. Mas os tempos mudam. Já com mais de oitenta anos, ele faz uma busca simples na internet, apenas como passatempo, e encontra seu amigo. Ele havia virado um escritor de sucesso e morava não muito longe dali, em uma casa que ele passara em frente nos últimos quarenta anos sem saber que seu amigo ali estava.
Ele passou a andar todas as tardes em frente à casa, na esperança de pelo menos ver o amigo, já que ele nem saberia como começar uma conversa, tantos anos depois.
Dia após dia, ele lá passava, e começou a ver algumas pessoas. Uma senhora de longos cabelos brancos, um jovem rapaz que se assemelhava muito com o amigo, embora fosse ligeiramente mais alto, uma mulher loira magra e um menino de uns dez anos, que corria pelo gramado perseguindo um gato. Havia, claro, a vontade de perguntar pelo senhor que ali morava, mas não havia a coragem, sem contar que ele não via o amigo.
Um dia ele, passando em frente, viu um senhor na janela do quarto de cima que o observava caminhar pela rua, enquanto arrumava as cortinas. Ele não soube o porque, mas aumentou o passo.
No dia seguinte, lá estava o senhor na janela de novo, e desta vez ele acenou a mão e foi correspondido pelo homem, mas não parou de andar. Assim foi por quatro dias, até que ele tomou coragem e foi bater à porta. A mesma senhora que ele vira o atendeu, mas ela estava chorando. Ele se apresentou o contou sobre ele e o marido dela, mas ela lhe deu uma notícia horrível. Ele falecera na noite anterior, mas, antes, havia escrito uma carta para ele. Ela lhe entregou a carta e perguntou se ele gostaria de ir ao enterro, naquela tarde. Sem conseguir expressar muitas palavras ele apenas assentiu com a cabeça e saiu rua abaixo com a carta, sem conseguir abri-la.
Chegando em casa ele se sentou na beirada da cama, olhando a carta em suas mãos, mas ele não conseguia abri-la, pois aquelas seriam as últimas palavras de seu amigo, e dessa vez para sempre, pois ele já havia escutado "as últimas" antes, quando se separaram em 44. Ele ficou horas parado ali, até que chegou a hora do enterro. Sem saber muito bem o que fazer ele pegou o casaco preto e saiu.
Em frente à casa haviam poucas pessoas, todas, pelo que pode notar, eram da família. Não havia mais pessoas assim como ele, de idade, eram todas jovens e haviam algumas crianças. Ele se sentiu estranho, mas a viúva o abraçou e eles foram no mesmo carro, sem trocar palavras.
O cemitério estava lotado, visto o aumento no número de suicídios desde o pronunciamento, mas o local preparado para ele era afastado, com uma árvore ao lado. O padre falava as palavras, mas ele só conseguia olhar para o caixão e pensar que seu amigo, seu grande amigo, estava ali. Olhou para a carta:
Seus dias eram ensolarados e alegres, naquele verão de 36, mas tudo mudou. Três anos depois, a amizade deles foi intensificada, mas de alguma forma algo se quebrou: o pai de um deles fora enviado para a guerra na Europa. Os dois ficaram mais ligados que nunca, mas seus dias perderam a magia que tinham antes, pois a preocupação não os permitia sonhar, e sem sonhos, não há infância.
No outono de 44, já com dezessete anos, o garoto recebe dois militares à sua porta, com uma bandeira e duas medalhas nas mãos, e as palavras que ele jamais queria ouvir: que seu pai havia lutado bravamente por seu país, mas que falecera em um campo na França. Os dois amigos que já estavam meio separados acabaram por tomar caminhos diferentes e não se viram mais, desde que o garoto órfão de pai havia sumido no mundo.
O outro o procurou, mas não obteve êxito na época. Mas os tempos mudam. Já com mais de oitenta anos, ele faz uma busca simples na internet, apenas como passatempo, e encontra seu amigo. Ele havia virado um escritor de sucesso e morava não muito longe dali, em uma casa que ele passara em frente nos últimos quarenta anos sem saber que seu amigo ali estava.
Ele passou a andar todas as tardes em frente à casa, na esperança de pelo menos ver o amigo, já que ele nem saberia como começar uma conversa, tantos anos depois.
Dia após dia, ele lá passava, e começou a ver algumas pessoas. Uma senhora de longos cabelos brancos, um jovem rapaz que se assemelhava muito com o amigo, embora fosse ligeiramente mais alto, uma mulher loira magra e um menino de uns dez anos, que corria pelo gramado perseguindo um gato. Havia, claro, a vontade de perguntar pelo senhor que ali morava, mas não havia a coragem, sem contar que ele não via o amigo.
Um dia ele, passando em frente, viu um senhor na janela do quarto de cima que o observava caminhar pela rua, enquanto arrumava as cortinas. Ele não soube o porque, mas aumentou o passo.
No dia seguinte, lá estava o senhor na janela de novo, e desta vez ele acenou a mão e foi correspondido pelo homem, mas não parou de andar. Assim foi por quatro dias, até que ele tomou coragem e foi bater à porta. A mesma senhora que ele vira o atendeu, mas ela estava chorando. Ele se apresentou o contou sobre ele e o marido dela, mas ela lhe deu uma notícia horrível. Ele falecera na noite anterior, mas, antes, havia escrito uma carta para ele. Ela lhe entregou a carta e perguntou se ele gostaria de ir ao enterro, naquela tarde. Sem conseguir expressar muitas palavras ele apenas assentiu com a cabeça e saiu rua abaixo com a carta, sem conseguir abri-la.
Chegando em casa ele se sentou na beirada da cama, olhando a carta em suas mãos, mas ele não conseguia abri-la, pois aquelas seriam as últimas palavras de seu amigo, e dessa vez para sempre, pois ele já havia escutado "as últimas" antes, quando se separaram em 44. Ele ficou horas parado ali, até que chegou a hora do enterro. Sem saber muito bem o que fazer ele pegou o casaco preto e saiu.
Em frente à casa haviam poucas pessoas, todas, pelo que pode notar, eram da família. Não havia mais pessoas assim como ele, de idade, eram todas jovens e haviam algumas crianças. Ele se sentiu estranho, mas a viúva o abraçou e eles foram no mesmo carro, sem trocar palavras.
O cemitério estava lotado, visto o aumento no número de suicídios desde o pronunciamento, mas o local preparado para ele era afastado, com uma árvore ao lado. O padre falava as palavras, mas ele só conseguia olhar para o caixão e pensar que seu amigo, seu grande amigo, estava ali. Olhou para a carta:
"Para Miguel, meu único amigo"
O enterro aconteceu sem muitos lamentos, posto que ele morrera já bem idoso e dormindo, sem dor nem sofrimento. Ele foi para casa, ainda com a carta nas mãos, sem abri-la. Não conseguiu dormir, visto que o mundo acabaria dali a dois dias, e resolveu abrir a carta.
Desceu as escadas, acendeu o abajur lateral, sentou-se no sofá, colocou seus óculos e abriu o envelope.
"Miguel, se você está lendo essa carta significa que eu já não estarei junto a vocês neste mundo. Foram anos de angústia e solidão os que se seguiram àquele outono de quarenta e quatro. Fui parar na África, em missão humanitária. Fiquei lá por volta de vinte anos, e tive que sair por causa de uma doença nas pernas. Voltei para a Espanha e encontrei Vivian, minha companheira de vida, que me aguentou até o fim.
Durante todos esses anos, mesmo tendo viajado e conhecido muitas pessoas, jamais tive um amigo depois de você. Nunca consegui me aproximar de outra pessoa como éramos próximos. Passei todo esse tempo com minha família. Tive três filhos e dez lindos netos, mas em reuniões de família jamais havia um amigo com quem eu pudesse falar dos tempos antigos.
Durante mais de trinta anos eu procurei por você, sem contudo saber nada sobre ti. Você se esconde melhor do que eu.
Quando recebemos o comunicado dias atrás eu pensei que jamais iria rever meu amigo de novo. Minha doença piorou e eu fui obrigado a ficar no quarto; logo eu que sempre gostei de andar.
Quando estava quase perdendo as esperanças você apareceu na rua. Reconheceria essa cara redonda em qualquer lugar. Vários dias se seguiram e você me cumprimentava, isso me aumentou as forças, mas você nunca entrava. Bobão, achou que eu não lembraria de você?
Mas, as coisas não aconteceram como o esperado. Minha doença é crítica (angina) e não resistiria por muito tempo mesmo, então escrevi essa carta. Se não resisti o bastante pra falar contigo amigo, me desculpe. Juro que tentei. Você foi e sempre será meu único amigo. Se Deus falou então ele existe, se existe, então existe céu e eu te espero lá. Até a próxima, Miguel.
Seu amigo, Ramón"
Ele ainda ficou um tempo no sofá, mas não conseguiu chorar. Era emocionante, mas ele não conseguiu ficar triste, já que Ramón havia morrido feliz.
No dia seguinte, faltando apenas um dia para o fim da Terra, Miguel vai ao cemitério deixar flores, e se emociona com a lápide.
"Solitário, mas jamais sozinho"
Com os olhos marejados ele depositou as flores e fez uma prece de agradecimento.
[continua...]
No dia seguinte, faltando apenas um dia para o fim da Terra, Miguel vai ao cemitério deixar flores, e se emociona com a lápide.
"Solitário, mas jamais sozinho"
Com os olhos marejados ele depositou as flores e fez uma prece de agradecimento.
[continua...]
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Antes de começar a postagem eu gostaria de fazer uma recomendação a quem vá ler. Aconselho que, enquanto a estiverem lendo, ouçam uma das músicas listadas logo abaixo. Acreditem, o efeito na leitura é visível.
"One Day In Your Life" -- Anastacia
"Accidentaly In Love" -- Counting Crows
"Don't Let Me Get Me" -- Pink
"Will You Be There" -- Michael Jackson
"Beautiful Day" -- U2
"Never Gonna Be Alone -- Nickelback
"Accidentaly In Love" -- Counting Crows
"Don't Let Me Get Me" -- Pink
"Will You Be There" -- Michael Jackson
"Beautiful Day" -- U2
"Never Gonna Be Alone -- Nickelback
No último domingo, dia 20 de dezembro, tive o que muitos chamam de "dia especial", mas eu chamaria de dia (noite) perfeita. Foram mais de quatro horas de pista com meus amigos e algumas outras pessoas que em festas acabamos conhecendo e que, de alguma forma, marcam nosso momento, seja com sorrisos, beijos ou puxadas de gravata pela cintura, não é Robson?
Em minha vida tive várias noites que foram curtidas do início ao fim, onde suei, dancei e me diverti, mas posso afirmar categoricamente que nenhuma foi tão boa quanto a de domingo. Não sei se é porque eu estava de bem com a vida -- acreditem, isso é raro --, ou se é porque foi bom realmente. Bem, pelo sorrisos nos rostos das pessoas posso dizer que não fui o único.
Não parei um só minuto e pude ver a alegria contagiando todos a minha volta. Um senhor, que presumo eu ser professor ou pelo menos pai de algum aluno, dançando funk; uma cena que não se vê todos os dias.
Jamais vou assistir Shrek sem me lembrar desse dia, pois cada parte do vídeo aparecia uma música do Smashmouth ou apenas o Burrinho rindo.
Pessoas curtindo, pessoas dançando, pulando e caindo. Uma poça levou uma garota à lona, mas ela levantou rindo e continuou a pular, claro, longe da poça. Errar é humano, reincidência do erro é idiotice.
O dia começou com a roupa. Sim, a roupa. Sou um rapaz que se acostumou (mal acostumou) a usar jeans e tênis, e quando tive que usar calça e sapatos sociais eu até que não fiquei tão ruim assim. Claro, aquela calça balançando ao vento ainda me causa uma certa sensação de coisa errada, mas até que fica interessante mesmo -- fico magro.
Chegando lá entramos, Xandão e eu, e andamos como se o clube fosse nosso, pois não havia ninguém barrando a entrada nem nada do tipo. Ao chegar no salão aí sim havia um leve impecílio: a passagem estava atravancada de pessoas, pois eles ainda estavam arrumando as mesas. Mas, depois do que eu vi, podiam levar quatro a cinco horas arrumando cadeira por cadeira que eu nem ligaria. Ela estava linda.
Eu havia brincado no MSN que ela, tendo misturado cabelo loiro e preso apenas até a metade, vestido lilás e sandálias prateadas, estaria parecendo uma das princesas Disney, mas fiquei pasmo ao ver que estava certo. Fiquei tão abobado que não consegui dizer o quanto ela estava linda, apesar de que deveria, mesmo sem conseguir. Desculpe Tony Bennett, mas vou usar suas palavras como se fossem minhas, mas são as perfeitas para a ocasião: "´Cause I love you/Just the way you look tonigh[...]"(Pois eu amo você/E o jeito que você esta essa noite[...]).
São poucos os dias na vida de uma pessoa em que ela aproveita tudo, que ela vê tudo como deveria, que encara tudo como devia sempre o fazer. Na volta pra casa, depois de uma noite maravilhosa, observei pela janela do ônibus vazio o dia raiar. Já havia visto esse espetáculo algumas vezes, mas jamais havia curtido tanto como nesse dia. Os tons de rosa e lilás que adornam o céu nessa hora, que sempre me acalmou, mas que nesse dia só me fazia lembrar da cor do vestido dela. Olhando para aquela paisagem linda, com as lembranças da noite e de tudo o que havia passado de bom, nos fones de ouvido tocando Bellissimo Così. Laura, sua música é perfeita.
Tive um dia incluído em sua vida. Desculpe se fui intrometido, mas me senti realmente parte de tudo, parte de um todo ao qual eu só havia ouvido falar.
Obrigado por me deixar fazer parte, por me deixar curtir ao seu lado, por me deixar entrar em sua vida, assim como entrou na minha. Obrigado por me convidar, por deixar que eu fosse, apesar dos pesares, das turbulências e das noites mal dormidas e aulas as quais faltei ou fui embora mais cedo.
Obrigado pela noite, por fazer de minhas frases egocêntricas mais aceitáveis, já que muitas delas se dirigem a você (paradoxal, não?), e, claro, por dançar comigo até o chão.
Ficaremos quase um mês sem nos ver, mas, pode ter certeza, não esquecerei um dia sequer do "quanto é importante pra mim o seu sorriso e o som da tua voz" (esse é um exemplo de frase egocêntrica aceitável), seus tapas no meu ombro e rosto, seus cafunés e as vezes que me manda calar a boca. Mas, com certeza, jamais vou me esquecer do quanto você estava linda aquela noite.
Em minha vida tive várias noites que foram curtidas do início ao fim, onde suei, dancei e me diverti, mas posso afirmar categoricamente que nenhuma foi tão boa quanto a de domingo. Não sei se é porque eu estava de bem com a vida -- acreditem, isso é raro --, ou se é porque foi bom realmente. Bem, pelo sorrisos nos rostos das pessoas posso dizer que não fui o único.
Não parei um só minuto e pude ver a alegria contagiando todos a minha volta. Um senhor, que presumo eu ser professor ou pelo menos pai de algum aluno, dançando funk; uma cena que não se vê todos os dias.
Jamais vou assistir Shrek sem me lembrar desse dia, pois cada parte do vídeo aparecia uma música do Smashmouth ou apenas o Burrinho rindo.
Pessoas curtindo, pessoas dançando, pulando e caindo. Uma poça levou uma garota à lona, mas ela levantou rindo e continuou a pular, claro, longe da poça. Errar é humano, reincidência do erro é idiotice.
O dia começou com a roupa. Sim, a roupa. Sou um rapaz que se acostumou (mal acostumou) a usar jeans e tênis, e quando tive que usar calça e sapatos sociais eu até que não fiquei tão ruim assim. Claro, aquela calça balançando ao vento ainda me causa uma certa sensação de coisa errada, mas até que fica interessante mesmo -- fico magro.
Chegando lá entramos, Xandão e eu, e andamos como se o clube fosse nosso, pois não havia ninguém barrando a entrada nem nada do tipo. Ao chegar no salão aí sim havia um leve impecílio: a passagem estava atravancada de pessoas, pois eles ainda estavam arrumando as mesas. Mas, depois do que eu vi, podiam levar quatro a cinco horas arrumando cadeira por cadeira que eu nem ligaria. Ela estava linda.
Eu havia brincado no MSN que ela, tendo misturado cabelo loiro e preso apenas até a metade, vestido lilás e sandálias prateadas, estaria parecendo uma das princesas Disney, mas fiquei pasmo ao ver que estava certo. Fiquei tão abobado que não consegui dizer o quanto ela estava linda, apesar de que deveria, mesmo sem conseguir. Desculpe Tony Bennett, mas vou usar suas palavras como se fossem minhas, mas são as perfeitas para a ocasião: "´Cause I love you/Just the way you look tonigh[...]"(Pois eu amo você/E o jeito que você esta essa noite[...]).
São poucos os dias na vida de uma pessoa em que ela aproveita tudo, que ela vê tudo como deveria, que encara tudo como devia sempre o fazer. Na volta pra casa, depois de uma noite maravilhosa, observei pela janela do ônibus vazio o dia raiar. Já havia visto esse espetáculo algumas vezes, mas jamais havia curtido tanto como nesse dia. Os tons de rosa e lilás que adornam o céu nessa hora, que sempre me acalmou, mas que nesse dia só me fazia lembrar da cor do vestido dela. Olhando para aquela paisagem linda, com as lembranças da noite e de tudo o que havia passado de bom, nos fones de ouvido tocando Bellissimo Così. Laura, sua música é perfeita.
Tive um dia incluído em sua vida. Desculpe se fui intrometido, mas me senti realmente parte de tudo, parte de um todo ao qual eu só havia ouvido falar.
Obrigado por me deixar fazer parte, por me deixar curtir ao seu lado, por me deixar entrar em sua vida, assim como entrou na minha. Obrigado por me convidar, por deixar que eu fosse, apesar dos pesares, das turbulências e das noites mal dormidas e aulas as quais faltei ou fui embora mais cedo.
Obrigado pela noite, por fazer de minhas frases egocêntricas mais aceitáveis, já que muitas delas se dirigem a você (paradoxal, não?), e, claro, por dançar comigo até o chão.
Ficaremos quase um mês sem nos ver, mas, pode ter certeza, não esquecerei um dia sequer do "quanto é importante pra mim o seu sorriso e o som da tua voz" (esse é um exemplo de frase egocêntrica aceitável), seus tapas no meu ombro e rosto, seus cafunés e as vezes que me manda calar a boca. Mas, com certeza, jamais vou me esquecer do quanto você estava linda aquela noite.
Capítulo Dois - Os Clamores
As pessoas não sabiam o que fazer. Seus planos, seus sonhos, seus desejos, foram todos varridos com aquelas palavras cheias de significado. Todos os seus anseios de vida já não faziam sentido.
Haviam os que choravam, pedindo aos céus por piedade; havia os que gritavam, sem conseguir de fato expressar palavra alguma, mas representando o desespero que assolava o mundo, havia os que se balançavam ou andavam de um lado para o outro, tentando organizar seus pensamentos, enquanto lágrimas silenciosas escorriam por seus rostos.
Mães consolavam os filhos que não conseguiam entender de fato o que estava acontecendo, pais desesperados abraçavam seus filhos, confortando-os e ao mesmo tempo buscando conforto.
O mundo vivia seu pior momento: uma catástrofe irremediável e com data marcada.
Haviam os que choravam, pedindo aos céus por piedade; havia os que gritavam, sem conseguir de fato expressar palavra alguma, mas representando o desespero que assolava o mundo, havia os que se balançavam ou andavam de um lado para o outro, tentando organizar seus pensamentos, enquanto lágrimas silenciosas escorriam por seus rostos.
Mães consolavam os filhos que não conseguiam entender de fato o que estava acontecendo, pais desesperados abraçavam seus filhos, confortando-os e ao mesmo tempo buscando conforto.
O mundo vivia seu pior momento: uma catástrofe irremediável e com data marcada.
Capítulo Três - O Caso da Mãe e do Filho
Passado um dia e meio após o comunicado, as pessoas continuavam em estado de pânico. Muitas delas não conseguiam ou nem mesmo queriam seguir suas vidas.
Qual o sentido do dinheiro? Por que motivo trabalhar? Por que criar? O glorioso mundo construído pelos humanos acabara de ruir. Seu ideal de vida já não existia. Seus planos de futuro agora eram de oito dias e só.
Tendo em vista o fim propriamente dito, muitas pessoas começaram a rever seus familiares menos vistos, seus amigos já há muito esquecidos e as brigas eram solucionadas.
Após três anos sem falar com o filho, que se envolvera em uma briga quando estava alcoolizado e esfaqueara um colega, uma mãe vai até a casa em frente a sua.
Durante três anos ela o via regar o jardim e recolher a correspondência, mas fingia ser um estranho e sequer cumprimentava seu próprio filho. Ele passou seis meses em uma penitenciária do estado e ela tinha na consciência de que havia sido ela quem chamara a polícia para seu único filho, na época com dezoito anos.
Ela bate na porta com os nós dos dedos e aguarda; o coração retumbando de nervoso.
-- Um momento, estou indo.
Aquela voz. Ela ainda se lembra daquela voz todas as manhãs lhe desejando bom dia.
Uma silhueta alta vai aumentando na porta de vidro e ela se abre. Um homem magro, com uma camisa branca e cabelos castanhos surge na porta. Seu olhos verdes expressavam surpresa.
-- Mamãe... O que...
Ela não aguentou e o abraçou. Foi um abraço apertado e por ele correspondido que fazia valer por três anos sem carinho. Ambos choravam e não diziam nada, apenas o silêncio e o aperto daquele abraço eram necessários para passar todo o sentimento daquele momento.
-- Filho... -- era difícil falar, as palavras saiam entre os suspiros --, eu sinto tanto...
Ele apenas a abraçou mais forte, colocou a mão em sua cabeça e se recostou ao ombro dela.
-- Eu também, mãe.
Da escada veio correndo uma criaturinha vestida de rosa, com longos cabelos loiros.
-- Papai, papai, papai!!!
O sorriso da garotinha fechou e ela se sentou no sofá encarando os dois, que saíam do abraço naquele momento.
-- Papai, o que a vizinha bicuda tá fazendo aqui?
Em meio aos choros e soluços veio o riso dos dois, seguido por uma cara fechada da menininha, que pensava que estavam rindo dela.
-- Essa vizinha é sua vovó.
Ele a pegou no colo e segurou de frente para sua mãe, que não sabia se ria com o fato de ser avó e nem saber ou se chorava de emoção. A menina olhou pra ela e sorriu.
-- Gostei de você, vovó. Tem um cabelo tão bonito quanto o meu.
Os três riram e se sentaram no sofá, tinham muito o que falar. Ali renascia uma família.
[continua...]
Qual o sentido do dinheiro? Por que motivo trabalhar? Por que criar? O glorioso mundo construído pelos humanos acabara de ruir. Seu ideal de vida já não existia. Seus planos de futuro agora eram de oito dias e só.
Tendo em vista o fim propriamente dito, muitas pessoas começaram a rever seus familiares menos vistos, seus amigos já há muito esquecidos e as brigas eram solucionadas.
Após três anos sem falar com o filho, que se envolvera em uma briga quando estava alcoolizado e esfaqueara um colega, uma mãe vai até a casa em frente a sua.
Durante três anos ela o via regar o jardim e recolher a correspondência, mas fingia ser um estranho e sequer cumprimentava seu próprio filho. Ele passou seis meses em uma penitenciária do estado e ela tinha na consciência de que havia sido ela quem chamara a polícia para seu único filho, na época com dezoito anos.
Ela bate na porta com os nós dos dedos e aguarda; o coração retumbando de nervoso.
-- Um momento, estou indo.
Aquela voz. Ela ainda se lembra daquela voz todas as manhãs lhe desejando bom dia.
Uma silhueta alta vai aumentando na porta de vidro e ela se abre. Um homem magro, com uma camisa branca e cabelos castanhos surge na porta. Seu olhos verdes expressavam surpresa.
-- Mamãe... O que...
Ela não aguentou e o abraçou. Foi um abraço apertado e por ele correspondido que fazia valer por três anos sem carinho. Ambos choravam e não diziam nada, apenas o silêncio e o aperto daquele abraço eram necessários para passar todo o sentimento daquele momento.
-- Filho... -- era difícil falar, as palavras saiam entre os suspiros --, eu sinto tanto...
Ele apenas a abraçou mais forte, colocou a mão em sua cabeça e se recostou ao ombro dela.
-- Eu também, mãe.
Da escada veio correndo uma criaturinha vestida de rosa, com longos cabelos loiros.
-- Papai, papai, papai!!!
O sorriso da garotinha fechou e ela se sentou no sofá encarando os dois, que saíam do abraço naquele momento.
-- Papai, o que a vizinha bicuda tá fazendo aqui?
Em meio aos choros e soluços veio o riso dos dois, seguido por uma cara fechada da menininha, que pensava que estavam rindo dela.
-- Essa vizinha é sua vovó.
Ele a pegou no colo e segurou de frente para sua mãe, que não sabia se ria com o fato de ser avó e nem saber ou se chorava de emoção. A menina olhou pra ela e sorriu.
-- Gostei de você, vovó. Tem um cabelo tão bonito quanto o meu.
Os três riram e se sentaram no sofá, tinham muito o que falar. Ali renascia uma família.
[continua...]
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Introdução
Há algum tempo eu venho querendo postar algo grande aqui; algo que ultrapasse uma postagem, e hoje eu tive uma idéia: postar uma mini estória aqui, cada capítulo dela em uma postagem. Se por acaso eu me alongar demais, ou ela for ficando chata me digam e eu a encerro. Obrigado, e boa leitura.
Capitulo Um - O Comunicado
O mundo já viu alguns dos pronunciamentos mais eloqüentes de todos os tempos com Hitler, durante sua campanha nazista, ou viu alguns emocionantes com o pastor Martin Luther King, com sua luta pela igualdade de raças nos anos 60; mas, com todos os comunicados que ele já presenciou, nenhum propiciou tanto temor quando o que estava para ocorrer, nem mesmo o anúncio de uma guerra.
Algumas revoluções e evoluções no que se refere a economia e relações entre pessoas tornaram a Terra um planeta interessante de se viver, mas, olhando nas entrelinhas, repudiável.
Ao mesmo tempo em que a religião se tornava mais presente e pregava a paz, ela fazia seus males.
Ao mesmo tempo em que haviam pessoas dispostas a ajudar, haviam cada vez mais os que viam nesse novo mundo uma forma de ganhar dinheiro mais fácil, pois a movimentação de moeda era maior e o número de ricos aumentou.
Ao mesmo tempo em que o capital passou a circular com mais facilidade pela sociedade, ele ficou mais escasso em outras partes dela mesma. Funcionou com um rio: se você coloca mais água represada em um ponto, algum outro ponto vai acabar ficando sem. A desigualdade social nunca foi tão grande. Não existiam mais três classes básicas, existiam duas. Ou você era rico ou você era miserável. Os ricos jamais iriam descer ao submundo para ajudar os pobres e os pobres não tinham permissão para cruzar a linha que separava os dois mundos habitados pela mesma raça.
Fazia uma linda manhã de sol, com temperatura amena e com poucas nuvens. Os pássaros cantavam, o vento soprava fresco, mas, como por mágica, tudo parou. Uma voz substituiu tudo, mas ela estava apenas dentro da cabeça de todas as pessoas do mundo. Cada uma delas colocou as mãos nos ouvidos, mas, vendo que todos estavam fazendo o mesmo, ficaram paradas esperando por alguma coisa. O céu tornou-se um tom mesclado de rosa com laranja, azul, púrpura e cinza, como o sol que aparece entre nuvens logo após uma tempestade ao entardecer.
Todos olharam esse efeito com os olhos arregalados e se enregelaram quando viram que havia uma imagem se formando no céu. Uma figura se apresentava por toda a extensão de céu que se podia ver de qualquer ponto da Terra. Não se viam feições, mas era imponente e austera. Com voz grave ela tornou a falar.
-- Uma boa tarde a vocês, meus filhos. Eu sou Deus.
Ao escutar essas palavras houve um burburinho global, mas ninguém ousou falar nada, tamanha era a surpresa.
-- Sei que muitos de vocês não crêem em mim, outros tantos acreditam em outros deuses. Isso não importa, vim falar a todos. Espero que me escutem, pois vou falar apenas uma vez.
Silêncio total no planeta. Não havia som nem mesmo de animais.
-- O mundo que idealizei, que projectei, que construí, que moldei, que cultuei, que populei, que amei, mudou. Poucas das cosias que construí foram mantidas como eram pra ficar. As criaturas que criei para o popularem matavam-se por alimento e por diversão. Queimaram minhas florestas, mataram meus animais, aqueceram meu mundo, destruíram com o oxigênio do planeta e com sua defesa contra ativos externos, contaminaram meu solo, minha água e a paisagem que criei com carinho.
"Relevei isso por tempo demais. Vocês perderam coisas muito importantes, mais importantes até que o mundo em si. Perderam uma coisa que não deveriam ter perdido jamais, mesmo sob todas as adversidades que se apresentassem.
"Eu vi um dia uma mulher sair e deixar seus filhos passando fome das dez da manhã até a meia noite, pois foi em uma excursão organizada por sua igreja. Ela deixou seus filhos passarem fome e disse, como desculpa, que fez isso para glorificar meu nome."
Todos notaram o aumento da voz dizendo essas últimas palavras, mas preferiram continuar a ouvir, as bocas já secas de nervoso.
-- Vocês esperam de mim algo que jamais darei a ninguém, que é a compreensão por seus atos errados e a absolvição desses ou aqueles por meio de orações ou pedidos. Jamais criei uma religião e nem sou partidário delas. Cuidassem de seus filhos de quisessem um pouco de minha compaixão.
"Passaram a se preocupar mais com o dinheiro do que com vocês mesmos e com seus próximos e eu cansei de ver isso. O mundo se tornou horrível, até mesmo pra mim."
Houve uma pausa na voz e um suspiro baixo. Depois a voz retornou, mas estava pesarosa.
-- Esse mundo está corrompido; vocês estão. Os animais foram todos retirados do convívio de vocês. Jamais irão matar outro de meus seres, agora nem mesmo pra comida. É com pesar que digo: cansei de vocês humanos. Já gostei muito, mas vocês me desapontam mais do que me orgulham. Essa é minha primeira aparição e minha última. Perderam um item precioso e perderam o valor para mim. A Terra tem apenas dez dias de vida e vocês também. Espero que aproveitem o pequeno tempo que têm para pensar o quanto foram cruéis com tudo o que já amei.
O céu voltou a ter o tom de azul, a imagem sumiu e o vento voltou a bater, mas em cada rosto da Terra havia uma expressão de medo, surpresa e descrença estampados.
O silêncio de repente foi quebrado por gritos vindos de todas as direções: todos entraram em pânico.
[continua...]
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Quase quinhentos e quarenta e sete dias, mais de treze mil cento e vinte oito horas, mais de setecentos e oitenta e sete mil seissentos e oitenta minutos dentro da Sina, e, ontem, dia 9 de dezembro nós fechamos a capa desse livro com leitura agradável que foi o curso.
Foram momentos mágicos, de muita brincadeira, diversão e de momentos sérios. Dancei, pulei, brinquei, corri, me diverti e amei. Repeti em matemática financeira, peguei chuva, sol, quase fui atropelado em um farol no Largo do Socorro, já tive que andar quilômetros em dia de congestionamento, já fiquei quatro horas no trânsito na volta pra casa. Entrei e sai de depressão mais de seis vezes, nem sei.
Aprendi a valorizar as coisas pequenas, como um sorriso, um bom dia, um tapa no ombro ou um tapa na bunda, né Mônica?
Aprendi a valorizar a amizade como uma das coisas mais importantes do mundo. Que amigos são pra sempre, mesmo que vistos em períodos espaçados de tempo. Amizade é mais que uma palavra, é um sentimento de carinho e afeto dedicado a outro ser humano. Vocês foram, são e sempre serão as pessoas a quem eu mais mostrei isso.
Aprendi até mesmo a amar. Eu, que por toda a minha existência sempre fui uma pessoa sozinha e solitária, mais por natureza e por gosto do que por falta de opção, me apaixonei naquela ETEC. Foi imprevisto, foi impensado, foi inesperado, foi (é) intenso, inabalável, que quebra as barreiras da distância, do tempo e da sanidade.
Aprendi que professores podem ser muito mais que mestres, podem ser colegas, parceiros, amigos e cúmplices. Nos auxiliam no certo, nos mostram o caminho e, se não der certo, ensinam a fazer o errado de forma imperceptível.
Aprendi a olhar o mundo sob uma perspectiva muito mais auto astral. Ver o mundo com olhos sonhadores, fora do papel; viver esse sonho. Como diria Bono Vox: "See the world in green and blue[...]", "It's a beautiful day, don't let it get away". (Veja o mundo em verde e azul; É um lindo dia, não deixe ele escapar).
Aprendi a ver o que há de melhor nas pessoas, mesmo que seja apenas seus defeitos que a façam ser notada. Procure ver o que há de bom, não se atenha ao que sabe, busque mais sobre ela. Quem sabe aquela pessoa sozinha em um canto não pode vir a ser seu amigo ou marido. O mundo gira, infelizmente gira rápido demais.
Foram minhas melhores tardes, meus melhores dias, e, em épocas de TCC, noites também. Meus melhores momentos até hoje, minhas melhores recordações estão de alguma forma relacionadas com vocês. Meu único motivo de alegria nesse um ano e meio foi a companhia de todos vocês, em especial aos mais próximos, a quem não desgrudei em nenhum momento, Andreza, Mônica, Franciele, Karoline, Mayara, Alexandre e Felipe. Obrigado pessoal, foi um prazer conhecê-los e ter vocês em minha vida, pois, podem ter a certeza, não vou largar assim tão fácil.
Agradeço a companhia, a amizade, o carinho e a paciência com esse gordo que adora dançar sem realmente saber e contar piadas sujas que nem têm tanta graça assim.
Espero não perder o contato com ninguém, mas, se isso vier a acontecer, esperem minha ligação pelo menos em todas as festas de meio e de fim de ano. Já sou gordo e gosto de barba, se eu me vestir de vermelho posso ser o Papai Noel de vocês?
Hoje encerramos essa etapa, que a nós significa a perda da rotina de se ver todos os dias, das incursões pelo campus e a curtição com todo mundo. Marcaremos um dia a roda com violão. Jamais vai ser a mesma coisa, pois todos vão seguir suas vidas e talvez não possam comparecer, mas poderemos relembrar os ótimos momentos.
Se torne importante para as pessoas e faça parte da vida delas, acredite, isso é lindo.
Faça a vida seguir seu curso, faça o mundo girar. Despedidas são necessárias para os reencontros emocionantes; choro agora significam beijos e abraços depois. Não tenha medo de chorar, tenha medo de não conseguir chorar.
Obrigado pessoal, e até a próxima, e que ela seja breve.
Viva a nossa Sina.
Foram momentos mágicos, de muita brincadeira, diversão e de momentos sérios. Dancei, pulei, brinquei, corri, me diverti e amei. Repeti em matemática financeira, peguei chuva, sol, quase fui atropelado em um farol no Largo do Socorro, já tive que andar quilômetros em dia de congestionamento, já fiquei quatro horas no trânsito na volta pra casa. Entrei e sai de depressão mais de seis vezes, nem sei.
Aprendi a valorizar as coisas pequenas, como um sorriso, um bom dia, um tapa no ombro ou um tapa na bunda, né Mônica?
Aprendi a valorizar a amizade como uma das coisas mais importantes do mundo. Que amigos são pra sempre, mesmo que vistos em períodos espaçados de tempo. Amizade é mais que uma palavra, é um sentimento de carinho e afeto dedicado a outro ser humano. Vocês foram, são e sempre serão as pessoas a quem eu mais mostrei isso.
Aprendi até mesmo a amar. Eu, que por toda a minha existência sempre fui uma pessoa sozinha e solitária, mais por natureza e por gosto do que por falta de opção, me apaixonei naquela ETEC. Foi imprevisto, foi impensado, foi inesperado, foi (é) intenso, inabalável, que quebra as barreiras da distância, do tempo e da sanidade.
Aprendi que professores podem ser muito mais que mestres, podem ser colegas, parceiros, amigos e cúmplices. Nos auxiliam no certo, nos mostram o caminho e, se não der certo, ensinam a fazer o errado de forma imperceptível.
Aprendi a olhar o mundo sob uma perspectiva muito mais auto astral. Ver o mundo com olhos sonhadores, fora do papel; viver esse sonho. Como diria Bono Vox: "See the world in green and blue[...]", "It's a beautiful day, don't let it get away". (Veja o mundo em verde e azul; É um lindo dia, não deixe ele escapar).
Aprendi a ver o que há de melhor nas pessoas, mesmo que seja apenas seus defeitos que a façam ser notada. Procure ver o que há de bom, não se atenha ao que sabe, busque mais sobre ela. Quem sabe aquela pessoa sozinha em um canto não pode vir a ser seu amigo ou marido. O mundo gira, infelizmente gira rápido demais.
Foram minhas melhores tardes, meus melhores dias, e, em épocas de TCC, noites também. Meus melhores momentos até hoje, minhas melhores recordações estão de alguma forma relacionadas com vocês. Meu único motivo de alegria nesse um ano e meio foi a companhia de todos vocês, em especial aos mais próximos, a quem não desgrudei em nenhum momento, Andreza, Mônica, Franciele, Karoline, Mayara, Alexandre e Felipe. Obrigado pessoal, foi um prazer conhecê-los e ter vocês em minha vida, pois, podem ter a certeza, não vou largar assim tão fácil.
Agradeço a companhia, a amizade, o carinho e a paciência com esse gordo que adora dançar sem realmente saber e contar piadas sujas que nem têm tanta graça assim.
Espero não perder o contato com ninguém, mas, se isso vier a acontecer, esperem minha ligação pelo menos em todas as festas de meio e de fim de ano. Já sou gordo e gosto de barba, se eu me vestir de vermelho posso ser o Papai Noel de vocês?
Hoje encerramos essa etapa, que a nós significa a perda da rotina de se ver todos os dias, das incursões pelo campus e a curtição com todo mundo. Marcaremos um dia a roda com violão. Jamais vai ser a mesma coisa, pois todos vão seguir suas vidas e talvez não possam comparecer, mas poderemos relembrar os ótimos momentos.
Se torne importante para as pessoas e faça parte da vida delas, acredite, isso é lindo.
Faça a vida seguir seu curso, faça o mundo girar. Despedidas são necessárias para os reencontros emocionantes; choro agora significam beijos e abraços depois. Não tenha medo de chorar, tenha medo de não conseguir chorar.
Obrigado pessoal, e até a próxima, e que ela seja breve.
Viva a nossa Sina.
Uma de minhas primeiras postagens fala de muitas de minhas semelhanças com o personagem Hank Moody do seriado Californication. Pois bem, elas continuam em todas as temporadas, mas na segunda há um episódio em que mostra o Hank em um mesmo estado emocional no qual me encontro no momento. Nele há uma carta, endereçada à Karen, a quem eu nem preciso dizer quem é.
Essa carta se encaixa perfeitamente em minha situação, e, por essa razão, resolvi postá-la. Essa é uma transcrição feita do episódio 10 da segunda temporada. Apenas retirei o nome Karen e, ao final, coloquei meu nome:
Essa carta se encaixa perfeitamente em minha situação, e, por essa razão, resolvi postá-la. Essa é uma transcrição feita do episódio 10 da segunda temporada. Apenas retirei o nome Karen e, ao final, coloquei meu nome:
"Querida ****,
se está lendo isso significa que finalmente tive coragem de enviar. Bom pra mim.
Você não me conhece muito bem, mas quando conhecer vai ver que tenho tendência de falar e falar sobre como escrever é difícil pra mim. Mas isso..., isso é a coisa mais difícil que já tive que escrever.
Não tem um jeito fácil de falar isso, então vou só falar:
Conheci alguém.
Foi acidental, eu não estava à procura, eu não estava à caça. Foi uma tempestade perfeita. Ela disse uma coisa, eu disse outra. Em seguida eu soube que queria passar o resto da vida naquela conversa.
Agora tenho essa sensação no peito. Pode ser ela.
Ela é totalmente louca, de um jeito que me faz sorrir, altamente neurótica. Bastante manutenção necessária. É você, ****.
Essa é a boa notícia.
A má é que não sei como ficar com você agora. E isso me assusta pra caralho. Porque se eu não ficar com você agora, tenho a sensação de que vamos nos perder por aí.
É um mundo grande, malvado, cheio de reviravoltas, e as pessoas têm um jeito de piscar e perder o momento. O momento que podia ter mudado tudo.
Eu não sei o que está acontecendo com a gente, e não sei te dizer porque você devia arriscar um salto no escuro pra gostar de mim, mas, porra, você cheira bem, como um lar. E você faz um café ótimo, isso deve contar pra algo, certo?
Me liga.
Infielmente seu,
Cris"
se está lendo isso significa que finalmente tive coragem de enviar. Bom pra mim.
Você não me conhece muito bem, mas quando conhecer vai ver que tenho tendência de falar e falar sobre como escrever é difícil pra mim. Mas isso..., isso é a coisa mais difícil que já tive que escrever.
Não tem um jeito fácil de falar isso, então vou só falar:
Conheci alguém.
Foi acidental, eu não estava à procura, eu não estava à caça. Foi uma tempestade perfeita. Ela disse uma coisa, eu disse outra. Em seguida eu soube que queria passar o resto da vida naquela conversa.
Agora tenho essa sensação no peito. Pode ser ela.
Ela é totalmente louca, de um jeito que me faz sorrir, altamente neurótica. Bastante manutenção necessária. É você, ****.
Essa é a boa notícia.
A má é que não sei como ficar com você agora. E isso me assusta pra caralho. Porque se eu não ficar com você agora, tenho a sensação de que vamos nos perder por aí.
É um mundo grande, malvado, cheio de reviravoltas, e as pessoas têm um jeito de piscar e perder o momento. O momento que podia ter mudado tudo.
Eu não sei o que está acontecendo com a gente, e não sei te dizer porque você devia arriscar um salto no escuro pra gostar de mim, mas, porra, você cheira bem, como um lar. E você faz um café ótimo, isso deve contar pra algo, certo?
Me liga.
Infielmente seu,
Cris"
Quem consegue manter a seriedade dê um passo a frente. Não, pode voltar Moni.
Essa menina é um show quando o assunto são risos. Sempre estudiosa e muito aplicada, mas tem um certo probleminha em falar em público. Apresentação de seminários viram shows de comédia, TCC é uma tensão pra saber se ela vai conseguir ficar séria ou não -- mas acho que o nervosismo é tanto que nem dá pra rir.
Ela é doida, talvez até mais que eu, ou no mesmo nível, só que com mais risos.
Há certos casos, como as interrupções absolutamente sem sentido nas conversas alheias, o que ela faz lindamente. Como as vezes qe alguém lá do outro lado da sala fala algo e ela diz: "nossa, eu adoro isso". Fica aquele silêncio constrangedor e alguém, podendo ser o Xandão, mas geralmente sendo o Pepy, que diz: "cala a boca, menina". Pronto, fechou o tempo e armou-se o barraco.
Ela e o Pepy devem ter alguma coisa. uhum... Não sei não. Meu instinto aranha diz que se não tem, tem tudo pra ter. Já escutou a expressão "entre tapas e beijos"? Ali vai ser entre xingamentos e...
Bom, voltando à postagem...
Ela me acha Super-Hétero kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Me rachei quando escutei isso dela. Foi tão espontâneo.
Suas interrupções, às vezes, interrompem apenas o silêncio, como cantar em momento de prova; falar quando lhe é pedido silêncio mais de cinco vezes; dizer que "essa música do RBD é linda. Adoro!" quando estão todos olhando os slides na parede; interromper momentos de leitura e pedir pra repetir duas, três, quatro vezes, só pra ver que havia escrito certo na primeira vez. Após isso, uma risada de meia hora, interrompida por algumas puxadas de ar bem rápidas e engraçadas que a fazem continuar a rir e fazer o mesmo a nós.
Se fosse descrever a Moni em apenas uma palavra eu diria "Nomsense", não no sentido pejorativo, mas no sentido divertido. Adoro Nomsense e adoro você, Moni. Doida ou não, rindo ou não, me dando tapa na bunda ou não.
Beijo grande, risadinha.
Essa menina é um show quando o assunto são risos. Sempre estudiosa e muito aplicada, mas tem um certo probleminha em falar em público. Apresentação de seminários viram shows de comédia, TCC é uma tensão pra saber se ela vai conseguir ficar séria ou não -- mas acho que o nervosismo é tanto que nem dá pra rir.
Ela é doida, talvez até mais que eu, ou no mesmo nível, só que com mais risos.
Há certos casos, como as interrupções absolutamente sem sentido nas conversas alheias, o que ela faz lindamente. Como as vezes qe alguém lá do outro lado da sala fala algo e ela diz: "nossa, eu adoro isso". Fica aquele silêncio constrangedor e alguém, podendo ser o Xandão, mas geralmente sendo o Pepy, que diz: "cala a boca, menina". Pronto, fechou o tempo e armou-se o barraco.
Ela e o Pepy devem ter alguma coisa. uhum... Não sei não. Meu instinto aranha diz que se não tem, tem tudo pra ter. Já escutou a expressão "entre tapas e beijos"? Ali vai ser entre xingamentos e...
Bom, voltando à postagem...
Ela me acha Super-Hétero kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Me rachei quando escutei isso dela. Foi tão espontâneo.
Suas interrupções, às vezes, interrompem apenas o silêncio, como cantar em momento de prova; falar quando lhe é pedido silêncio mais de cinco vezes; dizer que "essa música do RBD é linda. Adoro!" quando estão todos olhando os slides na parede; interromper momentos de leitura e pedir pra repetir duas, três, quatro vezes, só pra ver que havia escrito certo na primeira vez. Após isso, uma risada de meia hora, interrompida por algumas puxadas de ar bem rápidas e engraçadas que a fazem continuar a rir e fazer o mesmo a nós.
Se fosse descrever a Moni em apenas uma palavra eu diria "Nomsense", não no sentido pejorativo, mas no sentido divertido. Adoro Nomsense e adoro você, Moni. Doida ou não, rindo ou não, me dando tapa na bunda ou não.
Beijo grande, risadinha.
Ai, ai, ai... Essa vai ser difícil de falar.
Vamos ser como açougueiros e ir por partes.
Primeiro dia:
Tô brincando, não vou falar dia por dia, mas até que vários estão quase completos em minha memória, como o primeiro.
Essa guria foi a primeira pessoa que teve um diálogo (interrogatório) comigo lá naquela ETEC. Era uma linda segunda-feira, aula de RH com a Lelê e, depois de quase ter um infarto não entendendo nada, lá vem aquele cabelo loiro pro meu lado, refletindo o sol e dizendo"Oi, você é novo, né?". Mal sabia eu que aquela seria a única vez naquela ETEC que me chamariam de novo.
Nossa amizade nasceu ali, e foi uma coisa meio inexplicável, até hoje ainda é pra mim. Só sei que ficar ao lado dela me deixa tão bem que me sinto como a Alice. Será que Lewis Carroll tinha uma máquina do tempo e se inspirou nessa loirinha e na alegria que ela causa pra escrever seu conto? Tá, exagerei, mas ela sabe que sou exagerado e não me deixa esquecer nem um dia. Mas, claro, também não a deixo esquecer o quanto ela é perfeccionista. Cara, ela não consegue superar uma vírgula que saiu meio torta ou um ponto meio pra cima da linha. Se meu "T" parece um "F" eu simplesmente risco e conserto na frente, ou rabisco nele mesmo e tá ótimo.
O que eu falei da Karol quanto à aparência e ser fashion aplique nela também. Ela pode estar morta de cansada, mas tá sempre mais com tudo em cima que muita gente naquela ETEC. Os virgens de eletrônica ficam babando e ficam com as bocas abertas, os olhos saltados e repetem com aquelas vozes de soldadores míopes: "mulher.., mulher..." Tá sempre gatíssima (tá, esse gatíssima foi super gay ¬¬').
Podemos estar o quanto atrasados que for, há sempre uma parada pra ir ao banheiro pra ver se o cabelo tá no lugar (tá sempre ótimo), colocar ou tirar algumas blusas (nem sempre é necessário) ou simplesmente pra jogar Playstation 2, pois aquele banheiro tem que ser demorado por algum motivo especial. Nunca vi. Um dia ainda coloco uma saia, papel nos peitos, arrebito a bunda e dou uma conferida por lá. Serei a mulher mais feia dali, mas ainda descubro o mistério.
Meus cadernos tem a marca dela. Uma hora vou escanear a contra capa de todos os três, de todos os semestres e verão os desenhos e frases que ela faz, inclusive uma bandeira da Itália de cabeça pra baixo.
Falando em Itália, ela gosta da música de lá, e, a seu modo, acabou fazendo eu gostar também. Jamais vou escutar Laura Pausini sem lembrar dessa menina. Isso mesmo, MENINA! Ela detesta, mas eu adoro chamar ela assim. MENINA, MENINA, MENINA.
Por falar em música, ela me fez ver que até RBD tem seus bons lados, frentes, bustos, enfim... Voltando aos posts... ^^
Futura Perita da Polícia Federal, ela sonha em derrubar uma porta com uma pesada na maçaneta, uma lanterna e uma arma nas mãos. Desde que não seja a da minha casa ou do meu consultório, eu adoraria ver. [bicha louca mode on]"Adoro uma mulher poderosa e com um cano de ferro na mão [bicha louca mode off] ¬¬' (isso morre aqui...)
Minha colega nas séries, nas quais ela me viciou em algumas e eu a viciei em pelo menos uma: Supernatural. Dean é show, né guria? *-*
De um certo modo, ela é minha Karen e eu sou o Hank dela, na primeira temporada. Mas isso já é outro papo que não cabe aqui. Temos bem uma história, mas isso é assunto pra um outro blog que vou montar, o "sejamauedepressivoebataemalguemchorando.blogspot.com".
Bom, poderia varar a noite escrevendo, então se eu resolver que esqueci de algo, o que com certeza eu vou, eu faço um adendo e coloco em outra postagem.
Essa garota mudou minha vida, girou meu mundo de ponta cabeça e me fez ver o mundo de uma forma que eu só havia conseguido ver em livros de fantasia. Eu acredito em fadas, pois tenho o prazer de conhecer uma.
Fran, te adoro. Minha BBFF (Best Best Friend Forever), obrigado por falar comigo aquele primeiro dia, por ser tão importante em minha vida e por me aguentar nos momentos de deprê e de piadas ruins.
Vamos ser como açougueiros e ir por partes.
Primeiro dia:
Tô brincando, não vou falar dia por dia, mas até que vários estão quase completos em minha memória, como o primeiro.
Essa guria foi a primeira pessoa que teve um diálogo (interrogatório) comigo lá naquela ETEC. Era uma linda segunda-feira, aula de RH com a Lelê e, depois de quase ter um infarto não entendendo nada, lá vem aquele cabelo loiro pro meu lado, refletindo o sol e dizendo"Oi, você é novo, né?". Mal sabia eu que aquela seria a única vez naquela ETEC que me chamariam de novo.
Nossa amizade nasceu ali, e foi uma coisa meio inexplicável, até hoje ainda é pra mim. Só sei que ficar ao lado dela me deixa tão bem que me sinto como a Alice. Será que Lewis Carroll tinha uma máquina do tempo e se inspirou nessa loirinha e na alegria que ela causa pra escrever seu conto? Tá, exagerei, mas ela sabe que sou exagerado e não me deixa esquecer nem um dia. Mas, claro, também não a deixo esquecer o quanto ela é perfeccionista. Cara, ela não consegue superar uma vírgula que saiu meio torta ou um ponto meio pra cima da linha. Se meu "T" parece um "F" eu simplesmente risco e conserto na frente, ou rabisco nele mesmo e tá ótimo.
O que eu falei da Karol quanto à aparência e ser fashion aplique nela também. Ela pode estar morta de cansada, mas tá sempre mais com tudo em cima que muita gente naquela ETEC. Os virgens de eletrônica ficam babando e ficam com as bocas abertas, os olhos saltados e repetem com aquelas vozes de soldadores míopes: "mulher.., mulher..." Tá sempre gatíssima (tá, esse gatíssima foi super gay ¬¬').
Podemos estar o quanto atrasados que for, há sempre uma parada pra ir ao banheiro pra ver se o cabelo tá no lugar (tá sempre ótimo), colocar ou tirar algumas blusas (nem sempre é necessário) ou simplesmente pra jogar Playstation 2, pois aquele banheiro tem que ser demorado por algum motivo especial. Nunca vi. Um dia ainda coloco uma saia, papel nos peitos, arrebito a bunda e dou uma conferida por lá. Serei a mulher mais feia dali, mas ainda descubro o mistério.
Meus cadernos tem a marca dela. Uma hora vou escanear a contra capa de todos os três, de todos os semestres e verão os desenhos e frases que ela faz, inclusive uma bandeira da Itália de cabeça pra baixo.
Falando em Itália, ela gosta da música de lá, e, a seu modo, acabou fazendo eu gostar também. Jamais vou escutar Laura Pausini sem lembrar dessa menina. Isso mesmo, MENINA! Ela detesta, mas eu adoro chamar ela assim. MENINA, MENINA, MENINA.
Por falar em música, ela me fez ver que até RBD tem seus bons lados, frentes, bustos, enfim... Voltando aos posts... ^^
Futura Perita da Polícia Federal, ela sonha em derrubar uma porta com uma pesada na maçaneta, uma lanterna e uma arma nas mãos. Desde que não seja a da minha casa ou do meu consultório, eu adoraria ver. [bicha louca mode on]"Adoro uma mulher poderosa e com um cano de ferro na mão [bicha louca mode off] ¬¬' (isso morre aqui...)
Minha colega nas séries, nas quais ela me viciou em algumas e eu a viciei em pelo menos uma: Supernatural. Dean é show, né guria? *-*
De um certo modo, ela é minha Karen e eu sou o Hank dela, na primeira temporada. Mas isso já é outro papo que não cabe aqui. Temos bem uma história, mas isso é assunto pra um outro blog que vou montar, o "sejamauedepressivoebataemalguemchorando.blogspot.com".
Bom, poderia varar a noite escrevendo, então se eu resolver que esqueci de algo, o que com certeza eu vou, eu faço um adendo e coloco em outra postagem.
Essa garota mudou minha vida, girou meu mundo de ponta cabeça e me fez ver o mundo de uma forma que eu só havia conseguido ver em livros de fantasia. Eu acredito em fadas, pois tenho o prazer de conhecer uma.
Fran, te adoro. Minha BBFF (Best Best Friend Forever), obrigado por falar comigo aquele primeiro dia, por ser tão importante em minha vida e por me aguentar nos momentos de deprê e de piadas ruins.
Bom, pra definir logo no começo, ele é "O Cara que Dança".
Humor contagiante é com ele mesmo. Uma cara aqui, um comentário hilário ali e umas danças que fariam Michael revirar no túmulo de inveja. Tá sempre com um sorriso no rosto e com uma resposta fresquinha na ponta da língua pra qualquer pergunta, mesmo que seja: "Os cara que compra".
Sou misto de mineiro com paulista, mas esse eu acho que posso chamar sem parecer comum, mas ele é bobo. No sentido legal da palavra, mas é bobo.
Vive me perguntando se tô bem de verdade. Bom, depende do bem, mas ele sempre ri com qualquer que seja a resposta que eu dou. E me ameaça com cócegas caso eu também não ria.
Não sei o que seria de mim em muitas das provas da ETEC se não fosse por ele. O cara é crânio em estudar. Seus métodos são únicos, e entraram para o hall dos favoritos de muita gente, como " O Método Firmino de Aprendizagem".
Ele é meio que enigmático. Ao contrário de quase todo mundo, não dá pra saber o que se passa com ele. Ele é fechado. Antes dele falar não se sabe se virá uma teoria filosófica ou um "Ohhhh Cris...". Falando nisso, é meu companheiro em zoar o Xandão com isso. Quem mandou ser prego? kk
Águas, beliscões e, pasmem, até mordidas já foram usadas pra irritar a Fran. À propósito, ela o chama de bebê, então posso considerá-lo o primeiro bebê de barba que conheço. TENSO.
Bom, isso é mais ou menos tudo o que eu tinha pra falar, se bem que com certeza assim que eu publicar eu vou lembrar de mais coisas pra colocar aqui. Valeu Phelps (Felipe), obrigado pela amizade e pela paciência.
Humor contagiante é com ele mesmo. Uma cara aqui, um comentário hilário ali e umas danças que fariam Michael revirar no túmulo de inveja. Tá sempre com um sorriso no rosto e com uma resposta fresquinha na ponta da língua pra qualquer pergunta, mesmo que seja: "Os cara que compra".
Sou misto de mineiro com paulista, mas esse eu acho que posso chamar sem parecer comum, mas ele é bobo. No sentido legal da palavra, mas é bobo.
Vive me perguntando se tô bem de verdade. Bom, depende do bem, mas ele sempre ri com qualquer que seja a resposta que eu dou. E me ameaça com cócegas caso eu também não ria.
Não sei o que seria de mim em muitas das provas da ETEC se não fosse por ele. O cara é crânio em estudar. Seus métodos são únicos, e entraram para o hall dos favoritos de muita gente, como " O Método Firmino de Aprendizagem".
Ele é meio que enigmático. Ao contrário de quase todo mundo, não dá pra saber o que se passa com ele. Ele é fechado. Antes dele falar não se sabe se virá uma teoria filosófica ou um "Ohhhh Cris...". Falando nisso, é meu companheiro em zoar o Xandão com isso. Quem mandou ser prego? kk
Águas, beliscões e, pasmem, até mordidas já foram usadas pra irritar a Fran. À propósito, ela o chama de bebê, então posso considerá-lo o primeiro bebê de barba que conheço. TENSO.
Bom, isso é mais ou menos tudo o que eu tinha pra falar, se bem que com certeza assim que eu publicar eu vou lembrar de mais coisas pra colocar aqui. Valeu Phelps (Felipe), obrigado pela amizade e pela paciência.
A caminhar ele ouve música.
Os grandes prédios da cidade, tão imponentes sobre o infinito, parecem pedaços de papel recortados sobre o horizonte.
Os carros a passar na avenida ao lado são como flash's, rápidos demais para serem percebidos mais do que o espaço de um piscar de olhos.
As pessoas a seu lado, sua frente e que às costas falam com ele, e, não ouvindo resposta, sobre ele; são como estátuas, imóveis na vastidão do tempo.
Seu caminhar é rápido, incólume e imperceptível, exceto por aqueles a quem ele tropeça no caminho. Seus xingamentos apenas ecoam no mundo, mas não são percebidos por ele.
Os sons são rebuscados em seus ouvidos, mesclados com a cacofonia de sons já presentes em sua mente. Ele ouve, sem, contudo, prestar atenção a nada que lhe é dito. Só quer andar.
Em sua mente ele pensa em destino, mas se pergunta o porque dele. Pra que? Apenas caminhar, continuar, seguir, mas com uma saudade doída do que deixou pra trás.
Juntamente com a vontade incessante de caminhar, de ir em direção ao infinito da avenida iluminada pelas luzes amarelas dos postes à margem e fustigada pela chuva, ele anseia regressar. Tudo de novo, pensa ele. É o que deseja.
Ele olha para o horizonte. Em seus olhos vê-se a profundidade e angústia causadas pelo tempo. Ele sorri e diz, mais para si mesmo que para outros: "Um dia eu volto."
Os grandes prédios da cidade, tão imponentes sobre o infinito, parecem pedaços de papel recortados sobre o horizonte.
Os carros a passar na avenida ao lado são como flash's, rápidos demais para serem percebidos mais do que o espaço de um piscar de olhos.
As pessoas a seu lado, sua frente e que às costas falam com ele, e, não ouvindo resposta, sobre ele; são como estátuas, imóveis na vastidão do tempo.
Seu caminhar é rápido, incólume e imperceptível, exceto por aqueles a quem ele tropeça no caminho. Seus xingamentos apenas ecoam no mundo, mas não são percebidos por ele.
Os sons são rebuscados em seus ouvidos, mesclados com a cacofonia de sons já presentes em sua mente. Ele ouve, sem, contudo, prestar atenção a nada que lhe é dito. Só quer andar.
Em sua mente ele pensa em destino, mas se pergunta o porque dele. Pra que? Apenas caminhar, continuar, seguir, mas com uma saudade doída do que deixou pra trás.
Juntamente com a vontade incessante de caminhar, de ir em direção ao infinito da avenida iluminada pelas luzes amarelas dos postes à margem e fustigada pela chuva, ele anseia regressar. Tudo de novo, pensa ele. É o que deseja.
Ele olha para o horizonte. Em seus olhos vê-se a profundidade e angústia causadas pelo tempo. Ele sorri e diz, mais para si mesmo que para outros: "Um dia eu volto."
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