Como voltar?


Às vezes, caminhamos em direção ao nada, perdidos em pensamentos e em épocas, ou mais felizes ou menos turbulentas. Estamos no meio de dúzias de pessoas, talvez até centenas, mas nos sentimos como em um mundo somente nosso, onde somos senhor e servo ao mesmo tempo.
Nesse mundo todos os seus desejos se tornam realidade. Se você na vida real não anda, lá você o faz; se não fala, lá você discursa.
Nesse mundo todos os seus desejos mais secretos são realizados. Nele seus sonhos são possíveis.
Viajamos durante tempos e mais tempos, sem reparar em quem nos fala, nos chama, nos bate -- em casos mais extremos.
Mas, como voltar à realidade depois que estivemos em um lugar como esse? Como voltar ao mundo real, onde há limitações e tudo o que você sempre desejou não lhe é possível? Onde você volta a precisar de uma cadeira de rodas, da linguagem de sinais ou de auxílio médico/psicológico?
Como regressar à merda da percepção real quando se esteve em um sonho? Como voltar a viver depois que se esteve sonhando por tanto tempo?
Na verdade, não se volta. Fica-se sempre em um estado de suspensão, vira e mexe viajando em pensamentos. Você acaba saindo da realidade com mais freqüência que o normal. Se está ouvindo uma música você sai e voa, só volta quando a música acaba, ou não volta; se está em um ônibus, às vezes se pega olhando para o horizonte e pensando na vida, às vezes perde até o lugar onde deveria descer. O balançar das plantas passa a ser hipnótico e anestésico. Você começa a notar que para cada folha há um balançar diferente. O vento adentra pelos galhos e bate nos frutos, fazendo-os cair. Repara nos mínimos barulhos, os quais você não notaria se estivesse em seu estado normal: como pássaros. Você repara que da janela de seu próprio quarto você nunca havia notado que os pássaros cantam nas árvores da esquina. Você consegue até mesmo ver os ninhos. Estando assim você passa a fazer parte do meio em que vive muito mais do que o normal. Você se torna parte dele completamente. Repara na beleza do céu e no vôo dos pássaros, os que voam em bando, formando lindos triângulos no ar, e os que voam sozinhos cortando o céu enquanto cantam.
Agora que não tem nada, você passa a ter tudo. Se sente livre, mas sem a necessidade de falar outra vez. Seus sentidos se abrem muito melhor no silêncio do que com as palavras. Você passa a ficar horas olhando para o nada e se sente bem com isso. Seus pensamentos se tornam mais claros, embora você acabe ficando um pouco deprimido por estar sozinho. Mas, em suma, a solidão te faz bem.
De uma vida de desespero para um mundo de sonhos, e do mundo de sonhos para uma realidade sonhadora.
Nessa vida aprendi que há perdas ou incapacidades que jamais serão superadas; que os sonhos são cruéis, pois sempre acaba-se acordando, mas aprendi também que os devaneios são eternos uma vez que acontecem. Vive-se muito melhor a vida sem se estar nela realmente, e passa-se a curtir sua existência sem realmente existir para mais ningué além de você, e o mundo.

Diário dos amigos: Karol


Olá meus caros leitores -- parece até papo de político sem dedo --, hoje vou começar, em conjunto com meu amigo e parceiro de blogs, Alexandre, a descrever nossos estimados colegas. Como a idéia foi dela, nada mais justo do que começar pela Karol.

O que podemos dizer sobre ela? Bom, sou eu quem está escrevendo né... Não deveria estar perguntando a vocês. A Karol é marcada por sua risada. Cuidado se estiverem em uma sala quieta, pois se ela rir... sai de baixo. Se bem que, todos naquela ETEC são meio piradinhos e têm suas risadas escandalosas. Eu sou um deles.

Se quer algum debate sobre história, não indico ninguém melhor. A garota é crânio em revolução russa -- último tema que discutimos e que "fizemos lição juntos". Altas risadas xingando os "grandes nomes" do socialismo, como o bosta do Lenin, o babaca do Stalin e o merda do Trotsky. Sem contar o idiota do Fidel e o sem vergonha do Che Guevara. Enfim, falar mal da corja socialista... belo passatempo.

Horário, esqueça, não é Karol? Pessoal, uma dia olhamos pela janela, lá pelas 17:00, e quem vem passando dando sorrisinhos e chegando quase na hora de acabar o curso? Quem mais, né.... Mas ela cumpre o que promete, mesmo que nem apareça. Um dia ela foi na ETEC só pra devolver o caderno emprestado. Disse que devolvia na terça e realmente o fez, mesmo que nem tenhamos visto a cara da menina.
Falando em ver, quando nos damos conta estamos ao lado dela. Ela deve ter um Vira-Tempo, não é possível! Estamos sós e, de repente, a Karol está atrás de nós dando oi e comendo bolachas.
Outra marca dela: as bolachas. Seja a qualquer hora, ou em qualquer lugar, se olhar pra Karol a verá comendo. Mas, por mais que devam ser várias refeições por dia, ela consegue manter um corpo escultural -- não me pergunte como. Verdade, come, come, mas continua magra. Queria eu um sistema digestivo assim.
Outra, não há pessoa naquela sala, quiçá da ETEC toda, que se vista melhor do que ela. Sempre um visual diferente ou uma roupa com um toque a mais. Ela chama a atenção por ser fashion, em todos os sentidos da palavra. Blusas, tops, calças, sapatos, pulseiras, xales, enfim, a garota tá sempre ótima (esse comentário vai me render alguma coisa, nem que seja um tapa).
Bom, Karol, essa é você como a vejo. Pra quem conhece, sabe que é verdade, pra quem não conhece eu aconselho a conhecer, pois é uma figura única. Não escrevo mais porque só dá pra saber mesmo convivendo. Pessoas assim são únicas e quase indescritíveis.

Alienação


Adoro Nomsense, e vocês?
Gosto mesmo de começar a escrever sem sentido algum; sem saber porque comecei e nem onde terminarei. Aqui vai uma, espero que o final fique interessante, pois sentido eu não quero que ele tenha mesmo.

Imagine um coelho -- porque coelho? Porque gosto de coelhos (por sinal, nunca entendi a regra dos porquês).
Imaginem que esse coelho é míope e manco, mas que tem um cérebro super desenvolvido e que ele lê todos os dias para os ratos, que são inteligentes, mas usam sua inteligência para escapar de gatos, apenas isso. No mais, eles comem até veneno. Burros que só vendo.
Ele está lendo
Admirável Mundo Novo para seis ratinhos na quarta série, na escola rata que fica em um buraco rente à parte de trás do fogão. Os ratinhos estão adorando a estória e se perguntam que pílula louca é aquela. Um deles disse que aquela pílula era colocada na comida para ratos e que eles viajavam para "Além-Mar" e curtiam a vida no paraíso. Disse que quinze de seus tios já o fizeram.
O coelho, de nome Birmingham, disse que a pílula que ele estava falando era veneno de rato, e que se ele comesse morreria, não havia Além-Mar -- até porque todos os ratos ali, inclusive o coelho, jamais conheceram o mar, então não havia nem como pensar em algo depois disso. O coelho voltou a ler, mas estava sozinho, pois os ratos saíram gritando que queriam alcançar o Nirvana.

Saem os ratos em busca da pílula, o coelho tentando salvar os ratos burros e o gato, que achava que agora faria um jantar digno de um rei, andando de mansinho atrás de todos. Chegando a um canto da cozinha, havia um pedaço de queijo com bolinha pretas em cima. As bolinhas exalavam um perfume adocicado que fazia os ratos ficarem em êxtase. Um deles disse que todos deveriam comer uma daquelas e viajar em direção ao vento. Cinco deles comeram, menos o que falou. Instantes depois, todos os que comeram começaram a ter convulsões e a vomitar; se debatiam e gritavam. O gato, vendo toda aquela confusão, comeu três dos ratos que estavam fazendo barulho. Logo, era ele quem estava vomitando e se debatendo. Mas não durou muito e ele estava imóvel.

O coelho, que era manco, acabara de chegar à cena e viu os ratos mortos, sangue por toda a parte e o gato imenso e cinza caído com os olhos estatelados. O único rato sobrevivente estava rindo enquanto olhava tudo de cima de uma tampinha de garrafa. O coelho perguntou o que era aquilo, e ele disse que alcançara o paraíso, mas que ele é restrito a alguns, nesse caso, aos espertos... e aos lerdos. Moral da estória: jamais escute os líderes revolucionários. Eles se preocupam com eles, e fodem você na primeira ocasião.

PS: Isso nem foi Nomsense. Tá mais pra fábula do mal. ^^ Um hora posto algo que preste. Até mais.

Um belo dia pra gritar


Olá caros leitores. Espero que tenham tido um bom dia, pois o meu não foi. Ou melhor, nas partes intermediárias até que foi, mas as duas pontas... Ahh, essas pontas...
Acordei, me levantei -- com muito custo, já que fui dormir às 4 horas da manhã vendo o show do U2, que por sinal foi lindo -- e fui escovar os dentes. A boca estava até seca, não sei porque. Não bebi; acho que deve ter sido a expectativa pelo show. Enfim, acabei de escovar e fui tomar banho. Detalhe, acordei vinte minutos mais cedo porque tinha que fazer uma ligação sobre um problema com minha inscrição em um concurso público, mas, fiz isso na esperança de ser atendido por mais uma daquelas atendentes de telemarketing que fazem do gerúndio seu dialeto próprio e que amam passar as ligações para outros setores. Mas não. Fui atendido por uma mulher chamada Márcia -- ou Cláudia, nem sei -- que, não só me esclareceu a dúvida em menos de três minutos, como também era super simpática e tinha uma das vozes mais sexys que eu já escutei.

Me arrumei e sai de casa, mas tive que voltar, pois havia esquecido o celular. Subi a rua contrariado, pois odeio descer e subir por burrice, mesmo que seja burrice minha.
Cheguei no ponto de ônibus e vi o motorista, mas cadê o cobrador? Maldito filho de uma pata, chegou quinze minutos depois com uma cara lisa de quem estava mais certo que todo mundo. Fui dormindo sossegado do meu bairro até Interlagos, quando meu celular toca. Minha mãe queria saber se eu estava bem. Eu disse que estava até dormindo de tão bem. Mas aí começam meus problemas, ou melhor, o problema do dia: acidente no Largo do Socorro. Tudo bem, mãe, não foi meu ônibus; eu disse. Mas antes tivesse sido, pois aí eu andaria rapidinho em uma ambulância. Só que fiquei parado por bem uns vinte minutos no final da Kennedy.
Desci no meu ponto, mas e pra pegar um ônibus até o Terminal Guarapiranga? Esquece. Parecia cena de filme de desastres. A ponte de um lado sem carros, pessoas andando aos turbilhões e carros da polícia e da CET passando como morcegos fugindo do inferno. Cristiano o que faz? Anda.

Acho que nunca descrevi aqui o quanto detesto andar. Tenho problemas com distâncias curtas, e agora tendo que andar tudo isso? Mas andei. Me arrependi amargamente de estar com minha camisa preta. Um calor desgraçado e um gordo de preto. Hoje paguei meus pecados -- detalhe, sou ateu. Enfim, cheguei ao Terminal: estava com as pernas pedindo manutenção corretiva, as costas pedindo muro de arrimo e suando feito um porco no abate.

Fim da ponta um.

Fui fazer o TCC e não só acabamos não fazendo nada, como descobrimos que o problema com ele era bem maior que o previsto. Nos ferramos. Mas a tarde foi boa pela curtição com o pessoal. Altas risadas.

Fim da parte intermediária.

A volta não foi tão ruim quanto a ida, mas teve seus momentos também. Pra começar, o calor virou chuva, e uma senhora chuva. Não parava por nada. Me molhei todo. Na pirua a Fran ainda deixa o cartão cair atrás do banco e eu deito no corredor pra alcansá-lo parecendo uma stripper gorda tendo um AVC, já que me debatia tentando pegar o cartão, que conseguiu ficar na única cavidade atrás do banco que não podia ser alcançada sem deitar. Legal... Isso vai ser mais uma história pros meus netos: o dia em que o vovô deitou no corredor de uma lotação sem nem mesmo ter bebido.

Ao sentar no meu ônibus eu dormi. Nossa, dormi tanto que só acordei perto de casa, mas não acordei bem. Eu estava dormindo sossegado e de repente abri meus olhos, mas dei de cara com uma senhora que era a cara daquele palhacinho do filme Jogos Mortais. Resultado: levei um susto do caraca e não sei como não gritei, acho que me faltou o ar na hora. Mas e depois pra continuar ao lado da velha sem rir? Sem chance, ri mesmo. Ri de um jeito que devem ter achado que eu era maluco.

Bom, chego em casa, morto de cansado e com frio por estar molhado, mas constato algo bom pelo menos: não estava cheirando mal. Suei em bicas, andei até dizer chega e meu desodorante ainda manteve o suave aroma perfumado em minhas axilas. Acho que vou mandar um e-mail de agradecimento à Rexona por fazer um produto que cumpre o que promete -- coisa rara de se ver.
Queria agradecer também ao palhacinho do Jigsaw por ter me dado aquele ótimo momento de descontração depois de um dia que eu estava com vontade de enforcar um. Não sou maluco, mas a senhora é feia de doer, viu tia?

Amigos


Xandão, nessa eu admito: estou te imitando.Você me deu um tema e tanto, cara. ^^

Amizade... Bela palavra.
Amigos são pessoas de extrema importância em nossas vidas. Seja onde for, fazemos amigos. Isso faz parte da humanidade. Precisamos de amigos. Eles nos fazem sentir especiais, e fazemos o mesmo com eles, porque eles realmente o são. Estão junto nos momentos alegres, de euforia, de curtição; mas sabemos quem realmente são os amigos nos momentos de dor e tristeza, pois eles tentam levantar nossa moral.
Só que tem um lado triste da amizade. Nós nem sempre mantemos os mesmos amigos. Pode reparar, os amigos que você tinha na primeira série provavelmente não são os mesmos que você tem agora. Mudar nossas amizades também faz parte da vida. Se nos dissessem na quarta série que nosso melhor amigo não seria mais nosso amigo na oitava nós não acreditaríamos, mas acontece. Pessoas seguem caminhos diferentes e acabam se afastando. Aconteceu comigo e vai acontecer contigo um dia.
Li em um livro uma citação interessante. Dizia que nossos amigos na escola, depois de um tempo, se tornariam apenas rostos conhecidos no corredor, a quem nos caberia apenas cumprimentar e deixar seguir. Não haveria mais assunto e, depois de mais algum tempo, você se pegaria esquecendo até mesmo o nome deles. Se tornariam apenas rostos que você sabe que conhece, mas que não se lembra de onde.
Todas as conversas, todas as risadas, todos os papos de quatro horas seguidas seriam reduzidos a apenas um "oi" ao passar por perto. Todos os momentos juntos seriam colocados na memória, para servirem como referência, mas a amizade mesmo teria acabado.
Eu concordo com a afirmação, pois já passei por ela inúmeras vezes, mas prefiro acreditar que as verdadeiras amizades duram pra sempre. Prefiro crer que o carinho dos melhores amigos pode superar essa verdade universal.
Dedico essa postagem aos meus BFF's, a quem eu jamais quero perder contato e a quem eu atravessarei semáforos vermelhos para abraçar, mesmo que daqui a cinqüenta anos.
Minha memória não é boa, vocês sabem, mas de vocês eu não esqueço jamais.

O doce valor das coisas


Caro leitor, acho que voltei. Digo acho, porque ainda estou meio deprê e se por acaso ler algo deprê pode xingar, pois estará no seu direito. Na verdade, quando saio de uma deprê -- nas inúmeras vezes que saio, já que vira e mexe eu imito tatu e entro na caverna -- eu tenho vontade de xingar, bater e gritar. Pois bem, esse blog é pra isso. O título pode parecer melodramático e o assunto com certeza é, mas hoje estou com vontade de falar merda, então lá vai.

Como sabemos se queremos algo? Quando nos dá vontade, certo? Isso é o querer, derrrrr... Mas, quando sabemos que gostamos de algo? Como saberemos se realmente gostávamos ou apenas sentíamos carinho por aquilo? A resposta é triste: perdendo.
Eu ainda lembro que eu tinha um macaquinho -- de nome Kiko -- quando eu era criança. O macaco já nem tinha a junta dos braços no tecido original, tamanha a quantidade de remendos que fizeram nele. Eu ganhava outros bichinhos de pelúcia, na vã ilusão dos meus pais de que eu jogaria fora aquele macaco fedido e maltrapilho -- palavras deles, pois eu jamais falaria assim do meu Kiko -- em troca de um outro macaco que me compraram. Claro que eu brincava com os dois, mas jamais me desfazia do Kiko. Acho que foi meu primeiro amor. Olha... Amei um macaco. Freud, está escutando? Pode me explicar isso?
Pois bem, teve um dia. Não digo belo, pois foi um dia de trevas. O Kiko sumiu. Eu devia ter por volta de uns sete anos -- tá, meio grande pra brincar com pelúcias, mas quem é perfeito? -- e voltei da escola e o Kiko não estava em cima da minha cama, como era o costume. Lembro que chorei durante metade da tarde, até que aquela monstra da pele cinza, que eu chamo de irmã, trouxe de volta meu macaquinho. Ela o havia escondido dentro do armário. Até hoje eu não a perdôo por isso. Acho que meu ódio dela nasceu nesse dia.
Bom, mas isso só serviu pra me mostrar que eu realmente gostava do Kiko. Ele era valoroso pra mim e eu só percebi o quanto quando eu achei que o tinha perdido. Todos são assim. Quando somos crianças queremos crescer logo, quando ficamos adolescentes queremos logo ser adultos, e quando por fim chegamos à fase adulta nós adoraríamos não ter desejado crescer tão rápido. Desejaríamos curtir ao menos mais um dia da infância; ao menos mais uma brincadeira de roda. Gostaríamos de ao menos mais um dia não ter que nos preocupar com nada. Ver o mundo apenas como um lugar de brincadeiras.
Hoje sou um adulto que não se arrepende das cicatrizes que tem. Não me arrependo de ter brincado de ursinhos de pelúcia além da conta. Fui uma criança feliz, embora agora seja um adulto meio turrão, mas isso são outros quinhentos.
Conserve o que tem atualmente. Você não sabe o quanto vai sentir falta quando perder, pois um dia nós sempre perdemos... Ou quase, pois ainda tenho o Kiko.

"I Died For You"

De todos os super-heróis da minha infância o que eu mais gostava era o mais nojento e a seu modo o mais malvado de todos: Spawn. Mas o motivo que eu admirava nele não era o fato de ele caçar pessoas más, nem de tentar depor Malebólgia -- que o traiu no contrato --; não, eu gostava do Spawn por que ele morreu e voltou a vida, perdendo sua alma em troca de um amor que na época eu achava irracional. Ele vendeu sua alma pelo direito de ver novamente sua esposa e filha e liderar o exército do inferno numa batalha contra o céu.
No decorrer da história ele passou a proteger Cyan, sua filha, das forças das trevas as quais ele deveria servir. É um super-herói apodrecido e que mata indiscriminadamente, mas ainda me atrai mais que o Super-Homem ou qualquer outro por esse motivo. Ele teve a maior perda de todas, mas conseguiu voltar e lutar por aqueles que lhe eram queridos, sem se importar se teria de vê-los o olharem e não verem mais o Al Simmons de antes, pois ele virou um monstro.
Sua mulher, Wanda, não conseguia olhá-lo nos olhos, seu amigo não se sentia bem perto dele e sua filha se assustaria chegando perto dele; a única que conversava com ele era a avó de Wanda, isso por ela ser cega e não ver a criatura demoníaca que se achegava dela.
Spawn morreu amando, foi ao inferno e voltou mantendo esse amor mesmo sob tudo.
Há um CD de uma banda chamada Iced Earth dedicado inteiro a ele. Chama-se Dark Saga, e o título desta postagem é o nome de minha música predileta dele. Ela fala sobre a morte de Spawn e de seu amor por Wanda, agora em um mundo ao qual ele já não pertence.


O blog é de um modo geral dedicado a críticas, mas minhas últimas postagens têm fugido disso. Desculpem.
Essa última postagem é mais um comentário de algo que acho interessante. Adoro essa música e queria postar alguma coisa relacionada a ela, mas estava sem criatividade, então apenas um comentário sobre já é algo melhor do que nada. Quando eu encontrar algum jeito -- mesmo que seja na terceira pessoa, eu escrevo.
Até lá, e desculpem a falta de criatividade.
Leiam um livro hoje.

Perguntas


Até que ponto resiste a sanidade de alguém? Como sabemos se estamos ficando loucos ou se apenas perdemos a ordens das coisas momentaneamente? Eu não sei a resposta, mas gostaria.
Hipoteticamente, imaginem um homem com o coração quebrado por um amor não correspondido. Imaginem que esse homem busca de todas as formas e com todas as forças mudar esse sentimento que o está consumindo. Ele tenta, até com ajuda de amigos, mas não consegue nada. Todo e qualquer passo é seguido de dois passos para trás.
Mas um dia imaginem que ele finalmente parece ter conseguido alguma coisa. Ele sorri, não como antes, mas já é um começo. Ele volta a escrever e a sonhar com algo a mais. Parece que desta vez ele conseguiu conviver com isso.
Um dia, porém, ele resolve por ver algo na internet e acaba vendo o que não devia: o seu amor vai sair com outra pessoa. Todos os sorrisos, todos os momentos de um pouco de felicidade desaparecem no mar da solidão. Ela seguiu a vida dela, enquanto que ele ainda a vê como algo seu que foi perdido, embora jamais tenham ficado juntos.
Seus dias entrarão em momentos de trevas, já que todas as suas ações atualmente lembram dela. O que faz na internet, o que assiste, o que escreve, o que lê e até o que pensa e fala; tudo tem alguma ligação com ela, seja diretamente ou não. Sua série à assistir atualmente foi-lhe indicada por ela; o livro que está lendo é o mesmo que ela está; até mesmo sua forma de falar foi influenciada por ela. Ela o fez ver o mundo colorido e agora, por ela, ele vê o mundo cinza e áspero. Vê na sarjeta seu refúgio. Seu maior sentimento por uma pessoa agora passa a ser passado.
Li uma vez que uma pessoa só ama de verdade apenas uma vez na vida. Esse homem tem vinte e um anos, se seu maior sentimento é agora passado recente, pra que continuar a viver? Essa é a pergunta central do tópico que não consigo responder. Cabe a esse homem tentar seguir em frente, mesmo sabendo que não irá conseguir, já que tudo em si é dela?, ou cabe a esse homem isolar-se e deixar que o fim chegue, inevitavelmente?
Isso é se estar ficando louco? Essa incapacidade de viver sem uma pessoa em nossas vidas, isso já deixou de ser amor ou é só amor demais?
Poucas vezes em minha vida eu não tive respostas para as perguntas, mas dessa vez eu não sei. Só sei que esse homem precisa dela, mais do que precisa se alimentar, falar ou respirar. Mas ao mesmo tempo ele não deseja que ela se aproxime dele por pena, ele quer ser amado por ela e ninguém mais. Esse homem perdeu a lucidez? É possível amar alguém tanto assim?
Ao passarem por um parque, se virem alguém sentado, de costas curvadas e com papéis em seus mãos de cartas endereçadas a alguém que as devolve, então terão achado esse homem. Dêem um alô por mim e digam que tentei responder as questões, mas falhei...

Ao acordar

Acordei um dia. Não sabia se era manhã ou de tarde, só sabia que a luz era difusa.
Durante a noite -- ou dia -- tive um sonho tranqüilo e relaxante. Sonhei que estava em uma cabana, sozinho em pensamentos, sozinhos sem sinal de mais ninguém nem por perto. Eu podia sentir o silêncio; tocá-lo.
Levantei-me da cama e me pus à janela. Eu realmente estava na cabana do sonho e a minha frente havia um lindo lago, com a luz alaranjada do que eu não conseguia distinguir se era amanhecer ou pôr-do-sol. Os pássaros não cantavam, nem ouvia o som do vento, embora ele soprasse em meu rosto. As árvores à frente se balançavam levemente ao toque da brisa.
Tomando uma xícara de chá sentei-me numa cadeira na varanda, ainda estranhando aquela sensação de não saber a que horas eu acordara. Mas, por mais que se está indeciso com algo, às vezes simplesmente não queremos saber do modo fácil. Tirei o relógio do pulso para não ver que horas eram, para continuar com o suspense, mas olhei de relance e vi que marcava seis horas. Mas seriam seis da manhã ou da tarde?
Voando em pensamentos eu fui até o último momento que eu me lembrava: um sorriso. Não sabia de quem era e nem de quando fora, mas era um sorriso que me acalmava.
Estava com uma leve dor de cabeça e aquela luz laranja me deixava com os olhos ardendo. Levantei-me da cadeira e ia saindo da varanda quando notei que havia uma garrafa quebrada. Era minha garrafa de Wisky mais cara, e, julgando pela quantidade de líquido no chão, a pessoa que a quebrara devia ter bebido praticamente a garrafa toda antes de quebrar. Mas quem foi?
Num súbito turbilhão de imagens eu lembrei. Eu a quebrei.
Eram seis da tarde e eu dormira porque havia bebido quase dois litros de Wisky puro assim que cheguei em casa. As imagens passavam rápido, mas pude revê-la, linda em seu vestido de noiva. Ela fica bem em qualquer cor.
A mulher que eu amo havia se casado quatro horas atrás e eu a havia visto subir os degraus e casar-se com outro homem. Tudo agora estava claro. A sensação de solidão, o vazio, a dor de cabeça. Tudo fazia sentido.
Peguei uma garrafa de Vodka no freezer e coloquei o primeiro copo. Vodka sempre me fez esquecer das coisas e era justamente isso que eu devia ter pensado ao tomar o Wisky. Virei o copo e me estiquei no sofá com a garrafa. Melhor dormir de novo. Não há nada acordado que me faça sentir bem mesmo. Espero que eu acorde de manhã e veja a mesma cena no lago. Adorei não saber que horas eram... E adorei esquecê-la por alguns minutos.


Viajante das estrelas



Um homem passa.

Poucos são os que o vêem realmente. Poucos são os que notam sua passagem. Ele anda de deserto em deserto, de charneca em charneca e não para. Jamais olha pra trás, pois o que ele deixou já não importa. Amigos, família, amor. Esse homem não tem mais nada. Seu destino é o mundo e o que o mundo lhe der.
Ele anda pelos campos nevados durante a noite, observando o céu e as estrelas. Tudo que ele deseja é sair voando por elas. Passar por Júpiter e cair em Europa, onde poderia passar eternamente em silêncio, sem jamais escutar uma voz humana de novo. Os acontecimentos recentes em sua vida lhe fizeram aumentar o desprezo que ele já tinha pela humanidade. Esse desprezo virou nojo, que virou pena. Desejaria jamais ser humano para não ter que conviver com humanos e nem ter as emoções humanas. Foi justamente a solidão que fez isso com ele, mas agora é o que ele mais deseja. Solidão, vazio e silêncio.
Qualquer palavra quebraria o transe delicioso do silêncio.

Ele se imagina vagando pelos planetas onde a raça humana não habita, e onde ela não está. O motivo dessa mudança em sua vida se encontra em meio aos humanos e suas emoções, que agora ele só partilha a dor, o pesar, a solidão e a tristeza.
Ele sai de Europa e passa pelo calor de Io, mas não deseja calor, deseja frio. Segue pelo Sistema Solar em busca de solidão e vai parar em Plutão. Mas se dá conta que qualquer lugar ali ainda é perto demais de sua dor.
Sai da Via-Láctea e se dirige à Andrômeda. Quem sabe não encontra uma raça menos dolorosa que a humana. Ao passar por um planeta vermelho ele desce. Lá encontra uma raça que o transtorna, por ter a mesma tonalidade dos olhos do seu motivo de solidão. Sai em disparada. Em sua fuga ele cai em um planeta cor de rosa, com criaturas aladas com lindos olhos cor de mel e cabelos encaracolados cor de trigo. Milhões, talvez bilhões dessas lindas criaturas ao seu redor, fazendo seu coração quase parar de bater.
Ele sai desse planeta e volta ao Sistema Solar, onde fica na Lua. Agora ele sabe que qualquer lugar no universo é perto demais dela, e nada o fará esquecê-la, nem mesmo a completa solidão. Fica a olhar a Terra, imaginando que lá embaixo, em algum lugar, ela dorme e sonha.

Sai de seu transe e se vê novamente na paisagem nevada onde se encontrava. À sua frente há um lago congelado e no horizonte os últimos resquícios da aurora boreal. Entrará agora no período noturno dos pólos. Durante seis meses não haverá luz do dia. Ele se levanta e volta a caminhar rumo ao nada. Jamais dirá uma palavra outra vez, mas em sua mente há uma que não lhe é possível esquecer, mesmo sendo a que ele mais deseja.

Em meio ao frio dilacerante ele morre, mas de seus lábios sai apenas uma palavra em meio aos tremores e um esboço de sorriso. Pena que não havia ninguém para escutar...


Como prometido, aqui está a teoria que eu disse que formularia. Só não me batam, mulheres.
O que o ser humano busca? Amizade, amor, bom relacionamento familiar? Não. Em meio a tudo isso ainda há dor e tristeza. O que o ser humano busca é felicidade. Há tristeza em uma amizade, assim como há no amor ou numa família conturbada, mas a felicidade é por si só a união dessas coisas e em perfeita harmonia. Mas tem um porém: homens e mulheres vêem a felicidade de uma forma diferente um do outro. À partir daqui vêm a minha teoria, que não representa o pensamento de mais ninguém -- pelo menos eu acho que não -- e portanto sou total responsável por ela.
Um homem que vive sozinho, um dia vê em uma pessoa tudo o que ele sempre procurou. Ao contrário do que muitas mulheres pensam, não existem somente homens cachorros, alguns valem a pena. Imaginem que esse homem que cito é um desses.
Ele está amando essa pessoa. Não importa se é loira, morena, vesga, gorda, sem dentes ou careca; ele a ama do mesmo jeito. Amor não tem cara. Ele se entrega a esse amor e não se importa com o que vão dizer dele. Quando um homem ama, é de verdade. Ele não consegue pensar em outra coisa. Suas tarefas passam a ser direcionadas direta ou indiretamente a esse amor. Ele não vive, ele simplesmente ama.
Por outro lado, a mulher tem seus sistemas, que, eu acho, o homem jamais vai entender. Se ela ama, ela gosta. Se é feio ela gosta, se é lindo ela ama. Se é feio ela não comenta muito, se é lindo ela expõe. Se tem grana é bom pra casar, se não tem "estamos ficando". Se te carro é pegável, se não tem é colega de balada. Se é indiferente a ela é difícil e, portanto, interessante; se é amigo não pode. É aqui que chega o ponto de discussão da postagem. Porque essa negativa com os amigos?
Se uma amiga se declara a um homem o que ele diz? Bom, ele pondera: ela é legal, divertida, me faz sorrir, definitivamente me entende e eu a entendo. Ela gosta de mim, e eu acho que também gosto dela. Temos gostos iguais e ela está se declarando. Cara, achei a mulher dos meus sonhos.
É sério, o homem pensa assim mesmo. Já a mulher...
Um amigo se declara a ela. Ela pondera: ele é legal, me entende, me diverte, posso contar com ele, gostamos das mesmas coisas. Não escondemos nada um do outro. Ele gosta de mim, mas não posso, ele é meu amigo.
Depois de partir o coração do nosso amigo aí em cima, ela sai, encontra um cara que tanto faz se está com ela ou com a garçonete do bar local. A trata apenas como pessoa, e não com o amor que o rapaz quase cometendo suicídio que foi desprezado ali em cima a trataria. Quando perguntada ela diz pra todo mundo que está feliz, pois aparência é tudo, mas por dentro ela ainda deseja alguém que a ame. Não o amigo, ele não pode. Alguém de fora que não tenha nada com a vida dela e que seja distante o bastante pra ser apenas um conhecido, mas que a ame assim como o cara que tá fazendo ventilação nos pulsos a essa hora.
Qual o problema em namorar um amigo? Confiança, companheirismo, entendimento e amor não vão faltar. Ao contrário, o estranho que ela quer que a ame é mil vezes mais capaz de fazê-la infeliz do que o amigo. O amigo jamais faria algo pra prejudicá-la. Numa relação de amor é ainda preciso que haja amizade. Porque tentar começar do zero com um cara que nem liga pra ela, quando ela já tem alguém que é louco por ela ,tanto como amigo quanto como amante?
Nós homens jamais vamos entender as mulheres. Com certeza não. Isso não faz o menor sentido.
Douglas Adams, seu livro estava errado. "A Resposta para a vida, o universo e tudo mais" não é 42, na verdade ela é "somente amigos", pois é simplesmente a resposta pra todo amor de verdade que uma mulher poderia ter na vida.

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