É...


Você me pergunta sobre minhas tristezas, sobre minhas angústias, sobre meu eu depender de você.
Você me pergunta o motivo de eu ter mudado, de não voltar a ser o mesmo, de minha personalidade ter sido lapidada.
É como uma sinfonia agridoce. Sentimentos confusos, o tempo marcante, impiedoso, e a mudança... Não convivo com mudanças. As coisas têm um padrão por seus próprios motivos, sem razão aparente. Tudo gira em uma sintonia arrogantemente natural, onde a mudança faz parte do conceito de viver.
A crueldade gerada pelo óbvio consegue ser mais dura do que a própria morte. Mas como aceitar tamanha carnificina de sentimentos se nem ao menos entendemos como funcionam? Qual a razão do desespero?
Qual o sentido das lágrimas se na verdade não se perdeu nada? Chorar não trás de volta, mas infelizmente ameniza a dor. Não me peça para parar de chorar, apenas me ajude a enxugar as lágrimas. Não necessito de conselhos, o que eu preciso ninguém me dará. Na vida estamos fadados a fracassar, vez por outra conquistar, para depois perder novamente.
Qual o sentido da vida? Se houver algum, é mais nebuloso do que tudo que já se viu.
Desisto de tentar entender, de me entender, de esquecer, de superar, de me confortar, de me relacionar. Abro mão da tentativa de felicidade e trago pra mim a máscara de palhaço. Essa conforta, agrada e é apresentável. Cativa, faz rir e todos gostam. Se ela é útil? De certa forma. Faz com que os outros parem de ver o mundo com um local prático onde tudo pode ser mudado. Não pode, certas coisas jamais irão mudar e eu sou uma dessas coisas. Sei disso e vou tentar aprender na prática, mas não prometo sorrisos sinceros.
Sobre as perguntas no começo, elas tem uma resposta. Ela é tão óbvia que dispensa a si própria.
Às vezes olhamos para o lado tentando enxergar o fresta de sol que vem pela janela, mas não vemos que ela é apenas o reflexo do mesmo raio que bate no espelho ao seu lado, muito mais forte. Cegos pela janela de nossa própria tentativa. O sol brilha todos os dias, sempre no mesmo lugar, o espelho está lá, basta olhar, antes que quebre.

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