Caro leitor, acho que voltei. Digo acho, porque ainda estou meio deprê e se por acaso ler algo deprê pode xingar, pois estará no seu direito. Na verdade, quando saio de uma deprê -- nas inúmeras vezes que saio, já que vira e mexe eu imito tatu e entro na caverna -- eu tenho vontade de xingar, bater e gritar. Pois bem, esse blog é pra isso. O título pode parecer melodramático e o assunto com certeza é, mas hoje estou com vontade de falar merda, então lá vai.
Como sabemos se queremos algo? Quando nos dá vontade, certo? Isso é o querer, derrrrr... Mas, quando sabemos que gostamos de algo? Como saberemos se realmente gostávamos ou apenas sentíamos carinho por aquilo? A resposta é triste: perdendo.
Eu ainda lembro que eu tinha um macaquinho -- de nome Kiko -- quando eu era criança. O macaco já nem tinha a junta dos braços no tecido original, tamanha a quantidade de remendos que fizeram nele. Eu ganhava outros bichinhos de pelúcia, na vã ilusão dos meus pais de que eu jogaria fora aquele macaco fedido e maltrapilho -- palavras deles, pois eu jamais falaria assim do meu Kiko -- em troca de um outro macaco que me compraram. Claro que eu brincava com os dois, mas jamais me desfazia do Kiko. Acho que foi meu primeiro amor. Olha... Amei um macaco. Freud, está escutando? Pode me explicar isso?
Pois bem, teve um dia. Não digo belo, pois foi um dia de trevas. O Kiko sumiu. Eu devia ter por volta de uns sete anos -- tá, meio grande pra brincar com pelúcias, mas quem é perfeito? -- e voltei da escola e o Kiko não estava em cima da minha cama, como era o costume. Lembro que chorei durante metade da tarde, até que aquela monstra da pele cinza, que eu chamo de irmã, trouxe de volta meu macaquinho. Ela o havia escondido dentro do armário. Até hoje eu não a perdôo por isso. Acho que meu ódio dela nasceu nesse dia.
Bom, mas isso só serviu pra me mostrar que eu realmente gostava do Kiko. Ele era valoroso pra mim e eu só percebi o quanto quando eu achei que o tinha perdido. Todos são assim. Quando somos crianças queremos crescer logo, quando ficamos adolescentes queremos logo ser adultos, e quando por fim chegamos à fase adulta nós adoraríamos não ter desejado crescer tão rápido. Desejaríamos curtir ao menos mais um dia da infância; ao menos mais uma brincadeira de roda. Gostaríamos de ao menos mais um dia não ter que nos preocupar com nada. Ver o mundo apenas como um lugar de brincadeiras.
Hoje sou um adulto que não se arrepende das cicatrizes que tem. Não me arrependo de ter brincado de ursinhos de pelúcia além da conta. Fui uma criança feliz, embora agora seja um adulto meio turrão, mas isso são outros quinhentos.
Conserve o que tem atualmente. Você não sabe o quanto vai sentir falta quando perder, pois um dia nós sempre perdemos... Ou quase, pois ainda tenho o Kiko.
Como sabemos se queremos algo? Quando nos dá vontade, certo? Isso é o querer, derrrrr... Mas, quando sabemos que gostamos de algo? Como saberemos se realmente gostávamos ou apenas sentíamos carinho por aquilo? A resposta é triste: perdendo.
Eu ainda lembro que eu tinha um macaquinho -- de nome Kiko -- quando eu era criança. O macaco já nem tinha a junta dos braços no tecido original, tamanha a quantidade de remendos que fizeram nele. Eu ganhava outros bichinhos de pelúcia, na vã ilusão dos meus pais de que eu jogaria fora aquele macaco fedido e maltrapilho -- palavras deles, pois eu jamais falaria assim do meu Kiko -- em troca de um outro macaco que me compraram. Claro que eu brincava com os dois, mas jamais me desfazia do Kiko. Acho que foi meu primeiro amor. Olha... Amei um macaco. Freud, está escutando? Pode me explicar isso?
Pois bem, teve um dia. Não digo belo, pois foi um dia de trevas. O Kiko sumiu. Eu devia ter por volta de uns sete anos -- tá, meio grande pra brincar com pelúcias, mas quem é perfeito? -- e voltei da escola e o Kiko não estava em cima da minha cama, como era o costume. Lembro que chorei durante metade da tarde, até que aquela monstra da pele cinza, que eu chamo de irmã, trouxe de volta meu macaquinho. Ela o havia escondido dentro do armário. Até hoje eu não a perdôo por isso. Acho que meu ódio dela nasceu nesse dia.
Bom, mas isso só serviu pra me mostrar que eu realmente gostava do Kiko. Ele era valoroso pra mim e eu só percebi o quanto quando eu achei que o tinha perdido. Todos são assim. Quando somos crianças queremos crescer logo, quando ficamos adolescentes queremos logo ser adultos, e quando por fim chegamos à fase adulta nós adoraríamos não ter desejado crescer tão rápido. Desejaríamos curtir ao menos mais um dia da infância; ao menos mais uma brincadeira de roda. Gostaríamos de ao menos mais um dia não ter que nos preocupar com nada. Ver o mundo apenas como um lugar de brincadeiras.
Hoje sou um adulto que não se arrepende das cicatrizes que tem. Não me arrependo de ter brincado de ursinhos de pelúcia além da conta. Fui uma criança feliz, embora agora seja um adulto meio turrão, mas isso são outros quinhentos.
Conserve o que tem atualmente. Você não sabe o quanto vai sentir falta quando perder, pois um dia nós sempre perdemos... Ou quase, pois ainda tenho o Kiko.
Marcadores: vida
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There are 2 comentários for O doce valor das coisas
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*--* OOOHH!..Que fofo Cris...e quero ver esse seu macaco em!? *--* ..HSUAHSUHAUHSUA' =) Adorei..Lembro-me que estavamos falando disso esses dias neh!? ^^ ..Gostei pacas mesmo fera.. Amei o exemplo que usou (uma própria experiência), assim tornou mais próximo e real a situação.
Amei mesmo..
Parabéns!
Cara, o Kiko é lindo. Tem que ver sim, mas, claro, vou ser zoado até o dia da minha morte. Mas... tô nem aí. =D
Minha irmã leu, e não gostou que eu disse que ela tem a pele cinza. hehehe
Valeu Xandão.
Brigadú.