Acordei um dia. Não sabia se era manhã ou de tarde, só sabia que a luz era difusa.Durante a noite -- ou dia -- tive um sonho tranqüilo e relaxante. Sonhei que estava em uma cabana, sozinho em pensamentos, sozinhos sem sinal de mais ninguém nem por perto. Eu podia sentir o silêncio; tocá-lo.
Levantei-me da cama e me pus à janela. Eu realmente estava na cabana do sonho e a minha frente havia um lindo lago, com a luz alaranjada do que eu não conseguia distinguir se era amanhecer ou pôr-do-sol. Os pássaros não cantavam, nem ouvia o som do vento, embora ele soprasse em meu rosto. As árvores à frente se balançavam levemente ao toque da brisa.
Tomando uma xícara de chá sentei-me numa cadeira na varanda, ainda estranhando aquela sensação de não saber a que horas eu acordara. Mas, por mais que se está indeciso com algo, às vezes simplesmente não queremos saber do modo fácil. Tirei o relógio do pulso para não ver que horas eram, para continuar com o suspense, mas olhei de relance e vi que marcava seis horas. Mas seriam seis da manhã ou da tarde?
Voando em pensamentos eu fui até o último momento que eu me lembrava: um sorriso. Não sabia de quem era e nem de quando fora, mas era um sorriso que me acalmava.
Estava com uma leve dor de cabeça e aquela luz laranja me deixava com os olhos ardendo. Levantei-me da cadeira e ia saindo da varanda quando notei que havia uma garrafa quebrada. Era minha garrafa de Wisky mais cara, e, julgando pela quantidade de líquido no chão, a pessoa que a quebrara devia ter bebido praticamente a garrafa toda antes de quebrar. Mas quem foi?
Num súbito turbilhão de imagens eu lembrei. Eu a quebrei.
Eram seis da tarde e eu dormira porque havia bebido quase dois litros de Wisky puro assim que cheguei em casa. As imagens passavam rápido, mas pude revê-la, linda em seu vestido de noiva. Ela fica bem em qualquer cor.
A mulher que eu amo havia se casado quatro horas atrás e eu a havia visto subir os degraus e casar-se com outro homem. Tudo agora estava claro. A sensação de solidão, o vazio, a dor de cabeça. Tudo fazia sentido.
Peguei uma garrafa de Vodka no freezer e coloquei o primeiro copo. Vodka sempre me fez esquecer das coisas e era justamente isso que eu devia ter pensado ao tomar o Wisky. Virei o copo e me estiquei no sofá com a garrafa. Melhor dormir de novo. Não há nada acordado que me faça sentir bem mesmo. Espero que eu acorde de manhã e veja a mesma cena no lago. Adorei não saber que horas eram... E adorei esquecê-la por alguns minutos.
Marcadores: amor
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There are 3 comentários for Ao acordar
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Ae fera..Adorei essa postagem *--* me fez pensar em muita coisa...Só espero que essa depressão acabe logo! ^^ se precisar estamos ae sabe neh cara?!
Não posso dizer "adorei" pq é triste demais para fazê-lo, mas gostei da forma como vc colocou as palavras, faz parecer bonito, e a foto acalma, virou papel de parede aqui ^^
Me fez pensar em algumas coisas sim, mas me faz ficar mal tbm... vc sabe que pode contar neah?! Idem ao Xandão ;D
Beijinho!
Sei que é triste, mas foi também algo que me veio à cabeça naquele dia.
Não quero que fique mal, Fran. Apenas pense como um filme que termina mal. Assista depois a uma comédia e nem se lembrará do drama.